Rahel Kesselring assumiu o cargo inédito de curadora botânica na Fondation Beyeler, museu de arte moderna perto de Basel. A nomeação foi apoiada pelo Chanel Culture Fund. O cargo, o primeiro desse tipo em uma grande instituição, marca uma mudança de abordagem sobre natureza e museu.
Kesselring começou oficialmente em 1º de novembro de 2025, vindo de Berlim, onde atuava na Humboldt Universität, estudando regeneração de ecossistemas vegetais e sua relação com arte contemporânea. A função visa ampliar a presença do vegetal na prática museológica.
A curadora enfatiza que plantas não devem ser tratadas como abstração. O objetivo é atuar de forma prática e ecológica, conectando o mundo botânico ao território da Beyeler, em continuidade com o parque e os ecossistemas locais.
Ecologia como nova responsabilidade curatorial
Para ela, o manejo de plantas exige arcar com prazos, ciclos e impermanência, além das rotinas institucionais. O projeto envolve cuidar do ambiente como sistema vivo e ampliar o papel da curadoria para o cuidado ecológico.
A presidência de Chanel, Yana Peel, ressalta que a ousadia da parceria tem raízes históricas. A patrocinadora destaca que Natureza inspira artes há muito tempo e que a colaboração reforça bem-estar, comunidade e alegria.
Kesselring planeja um formato híbrido de curadoria, onde conhecimento botânico e artístico se entrelaçam. O espaço busca traduzir o ambiente da Beyeler como sistema vivo, conectado ao parque, à água e às áreas de conservação.
Tradução entre disciplinas
A docente traz experiência prática do palco para o conteúdo, unindo vocabulários científicos, procedimentos institucionais e público. A ideia é que visitantes participem de forma mais ampla, sem reduzir a botânica a símbolos.
A Beyeler está situada em uma área de reserva natural, com vastas vistas para campos e vinhedos. O local já recebeu obras temporárias de artistas como Christo, Fischli/Weiss e Olafur Eliasson, entre outros, associando paisagem a prática artística.
Kesselring cita uma relação próxima com plantas nativas, destacando uma parede de pedra cercada por amoras e avelãs que prosperam apesar da limpeza sazonal. O ecossistema local influencia a experiência pública.
A iniciativa é apresentada como uma etapa histórica para o setor cultural. A parceria Chanel reforça o interesse em integrar natureza, cultura e comunidade, sem alarmismo ecológico.
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