O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Regensburg, na Alemanha, mostra que memórias consideradas perdidas podem ser temporariamente inacessíveis apenas e não destruídas. A pesquisa descreve uma técnica de “viagem mental no tempo” para recriar as condições em que a lembrança foi formada.
Ao reencenar mentalmente o ambiente, as emoções, os pensamentos e a sequência de eventos do momento da memória, o cérebro pode restabelecer o acesso às informações. Os autores defendem que memórias antigas, quando contextualizadas, podem ser tão fáceis de lembrar quanto as novas.
Os experimentos envolveram mais de 1.200 voluntários divididos em grupos. Um subgrupo aprendeu textos curtos, outro memorou listas de substantivos sem ligação entre si. Em seguida, foram testados com ou sem a técnica.
Resultados principais
A aplicação da viagem mental foi eficaz nas primeiras 24 horas. A recordação emocional recuperou 70% das memórias em quatro horas e 59% em 24 horas. Já o priming seletivo atingiu 84% e 68% nesses mesmos intervalos.
No entanto, após uma semana a eficácia caiu, especialmente para a lembrança emocional, que não recuperou memórias-alvo. A técnica de pistas manteve 31% de recuperação, mostrando maior resiliência no tempo.
Potenciais aplicações
Segundo Karl-Heinz Bäuml, o autor principal, a viagem mental não apenas aumenta a recuperação imediata, como também altera a taxa de esquecimento a longo prazo. Em contextos como estudos e reabilitação cognitiva, o método pode auxiliar na recuperação de lembranças antigas.
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