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Gás da decomposição do lixo vira combustível limpo para o transporte público

Goiânia inicia operação de oito ônibus articulados movidos a biometano, parte de programa que prevê 501 veículos até o fim de 2027

Oito ônibus articulados movidos a biometano começaram a circular em Goiânia no final de março.
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O Brasil busca reduzir as emissões do transporte público sem abrir mão da viabilidade econômica. Em meio a desafios de descarbonização, governos e setor privado consideram o biometano como complemento à eletrificação. Dados do setor apontam que a frota urbana é composta por 107 mil ônibus, com idade média de 6,4 anos.

O Plano Clima, do Ministério do Meio Ambiente, projeta que até 2035 pelo menos 35% da frota use energias renováveis, equivalentes a cerca de 37 mil ônibus. A prioridade é ampliar opções com menor custo e maior aderência à realidade das cidades.

Biometano no transporte público

Algumas cidades buscam alternativas ao diesel sem abandonar a eletrificação. O biometano, obtido pela purificação do biogás de resíduos, esgoto e agroindústria, surge como solução prática para reduzir emissões já hoje, mantendo a infraestrutura existente.

Edmundo Pinheiro, presidente da NTU, afirma que as cidades não devem escolher entre eletrificação ou biometano, mas combinar soluções conforme a realidade local. Nesta visão, Goiânia avançou com a integração de biometano à frota.

Ônibus articulados movidos a biometano

No final de março, Goiânia iniciou operação com oito ônibus articulados movidos a biometano no BRT Leste-Oeste, o principal corredor da região metropolitana. O sistema tem 68,6 km e atende mais de 3,6 milhões de passageiros por mês.

Os veículos possuem chassi Scania e carroceria Marcopolo, com cilindros de gás em fibra de carbono instalados no teto. O motor aceita biometano ou gás natural, e a autonomia fica em cerca de 400 km. Cada ônibus mede 19,22 metros e comporta 145 passageiros.

Laércio Ávila, do Consórcio BRT, afirma que o grupo pretende chegar a 501 ônibus movidos a biometano até o fim de 2027, com meta de reduzir 95% das emissões poluentes. O abastecimento inicial ocorre por carretas de biometano comprimido; em dois anos, será construída uma usina em Guapó (GO).

Além dos ônibus a biometano, a região metropolitana de Goiânia já opera com 48 ônibus elétricos. A iniciativa é vista como etapa de uma transição pragmática para descarbonizar o transporte público sem rupturas de infraestrutura.

Descarbonização pragmática e segurança de abastecimento

Especialistas avaliam que a experiência de Goiânia mostra que a descarbonização no Brasil deve ser pragmática. O biometano é apresentado como solução disponível e com menor custo de transição, alinhada à produção de energia a partir de resíduos.

Tiago Santovito, da ABiogás, explica que o biometano pode ser levado aos pontos de abastecimento por rodovias ou por dutos, com enchimento de tanque semelhante ao do diesel e sem interrupção na operação diária.

Planejamento e cenário nacional

Em São Paulo, a eletrificação predomina, com 1.259 ônibus elétricos em operação, metade movida a bateria e trólebus. A prefeitura planeja substituir 2.200 ônibus até o final da gestão, e o Bio SP orienta a incorporação gradual de biometano na frota.

Especialistas ressaltam que a transição energética exige múltiplas rotas tecnológicas. A experiência de diferentes cidades fornece lições sobre implementação de infraestrutura de recarga, abastecimento e integração de tecnologias. A discussão permanece aberta, com projetos piloto em andamento em Londrina, Suzano, Rio de Janeiro e Curitiba.

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