A análise reuniu dados de mais de oito milhões de pessoas no leste da Polônia, entre 2011 e 2020, para entender se dias de temperaturas extremas elevam eventos cardiovasculares. Os registros de hospitalizações e mortes foram cruzados com dados ambientais.
Ao todo, o período mostrou mais de 573 mil eventos cardiovasculares e 377 mil mortes. O calor elevou rapidamente o risco: no dia da exposição, houve aumento de 7,5% nos eventos e 9,5% nas mortes. O frio elevou o risco de forma mais gradual, até 5,9% e 6,9%, respectivamente.
Estudos anteriores já apontavam a relação; cada 1°C extra pode elevar a mortalidade cardiovascular em cerca de 2,1%, com ondas de calor prolongadas elevando o índice até 12%.
Poluição entra no jogo
Não basta observar apenas a temperatura. Substâncias como ozônio e benzo[a]pireno aumentam os efeitos do calor, enquanto PM2,5 e NO₂ potencializam os impactos do frio. Em uma análise dedicada à poluição, cerca de 13% das mortes cardiovasculares foram atribuídas à má qualidade do ar.
Mulheres e pessoas com mais de 65 anos mostraram maior vulnerabilidade, com o risco subindo até 10% por aumento mensal na exposição à poluição.
Perspectivas e próximos passos
Entidades como a OMS e a American Heart Association já reconhecem a relação entre poluição e risco cardiovascular. A equipe projeta incorporar o exposoma — fatores como poluição sonora e luminosa — a modelos de previsão de risco, para orientar ações preventivas de forma mais precisa.
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