O estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences conclui que a Amazônia tem capacidade de regeneração mesmo quando degradada, mas fica mais frágil a distúrbios. Incêndios, secas severas e ventos intensos aceleram a perda de diversidade e ampliam a vulnerabilidade da floresta.
A pesquisa, realizada ao longo de 20 anos com monitoramento de campo, foi liderada por pesquisadores brasileiros. Em áreas degradadas, há substituição de espécies vulneráveis por outras mais resistentes, gerando florestas mais homogêneas. Ainda assim, não há indicação de savanização.
Os autores ressaltam que as áreas recuperadas apresentam maior sensibilidade a eventos extremos futuros, ao desmatamento e às mudanças climáticas. O aquecimento global pode intensificar secas, incêndios e afetar serviços ecossistêmicos como regulação de água e captura de carbono.
No sítio experimental Tanguro, em Mato Grosso, houve registro de perturbação por fogo e de recuperação ao longo dos anos. Os pesquisadores destacam que o fogo não ocorre na área experimental, o que não é viável na Amazônia como um todo.
A presença de fauna local, como antas, macacos e aves, mostra-se crucial para o reaparecimento de árvores consideradas especialistas de florestas, contribuindo para a regeneração de espécies de madeira mais densa e de vida longa.
A análise também aponta que a casca fina das árvores aumenta a vulnerabilidade ao fogo, e a baixa densidade da madeira agrava impactos de ventos. Em períodos de secas severas, algumas espécies chegam a operar próximo do limite de condutividade hidráulica.
O estudo destaca que, apesar da capacidade de regeneração, as áreas recuperadas são mais suscetíveis a distúrbios recorrentes. A conservação florestal é apresentada como medida essencial para reduzir riscos futuros e manter serviços ecossistêmicos.
No cenário atual, o desmatamento na Amazônia caiu nos últimos dois anos, mas a degradação segue presente como desafio. Entre 2025 e 2026, o desmatamento na Amazônia Legal recuou 35% frente ao ciclo anterior, enquanto a degradação aumentou. Em 2026, o primeiro trimestre registrou o segundo menor índice desde 2020.
Especialistas apontam ainda a possibilidade de um El Niño intenso a partir do segundo semestre, o que pode intensificar secas na região até 2027. A equipe de pesquisa aponta que continuar priorizando a preservação é fundamental para reduzir vulnerabilidades.
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