A quebra de patente da semaglutida, anunciada em março, elevou a expectativa por alternativas mais acessíveis de canetas antiobesidade. Estudos indicam que os fármacos não promovem perda de peso uniforme entre pacientes, com cerca de 1 em cada 10 não atingindo metas iniciais de redução.
A taxa de não resposta varia conforme o estudo. No STEP 1, 14% não perderam ao menos 5% do peso. No Surmount-1, com tirzepatida, a não resposta ficou em 9,1% na dose de 15 mg. Em doses de 10 mg e 5 mg, foram 11,1% e 14,9%, respectivamente. A resposta depende de múltiplos fatores.
A explicação envolve ajustes de dose, tolerância e efeitos colaterais. Em alguns casos, recuos temporários ou progressão mais lenta são necessários. Orienta-se acompanhamento médico para manter o peso obtido a longo prazo e evitar interrupções por conta própria.
Fatores que influenciam a resposta
A prática clínica aponta que pacientes com diabetes costumam ter resposta de peso menor, possivelmente pela resistência à insulina. Estudo de 2024 com 4.467 adultos com diabetes tipo 2 mostrou que apenas 14% melhoraram glicose e perderam ao menos 5% do peso simultaneamente.
Dados indicam ainda que peso inicial elevado, idade, duração do diabetes e função renal podem influenciar os resultados. A dose adequada e o aumento gradual costumam melhorar tolerância, mas podem aumentar efeitos adversos, levando alguns pacientes a interromperem o tratamento.
Perspectivas de dosagem e farmacocinética
Estudos recentes sugerem que a eficácia depende principalmente da concentração da droga no sangue, independentemente da via de administração. Pesquisas associam maior peso a menor exposição, contribuindo para a variação entre pacientes.
Em 2025, divulgação na Lancet apontou que doses mais altas de semaglutida, como 7,2 mg, proporcionaram maior redução de peso que a dose padrão. Em 72 semanas, perdas médias maiores e maiores chances de atingir reduções de 20% ou 25% do peso.
Caminhos de acesso e realidade no Brasil
No Brasil, a Conitec rejeitou, em agosto de 2025, pedido da Novo Nordisk para incorporar os medicamentos ao SUS por considerar alto impacto orçamentário e custos incertos. A discussão, porém, continua.
Em 2026, a Novo Nordisk anunciou programa de acesso piloto no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, com objetivo de coletar dados sobre impacto clínico, social e econômico, especialmente em populações vulneráveis. A empresa afirma que ampliar o acesso não deve alterar a proporção de respondentes.
Para médicos, a orientação é manter o acompanhamento e alinhar expectativas desde o início, evitando interrupções sem orientação profissional.
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