Um estudo divulgado em março de 2026 na revista Journal of the American College of Cardiology avaliou o impacto do consumo diário de ultraprocessados na saúde cardíaca. A pesquisa, conduzida por Amier Haidar, não aponta um limite seguro específico, mas mostra relação direta entre maior ingestão e maior risco.
Segundo os autores, não existe um número de porções considerado completamente seguro. O ganho de risco é proporcional: cada porção diária adicional aumenta cerca de 5% a chance de desenvolver doença cardiovascular aterosclerótica. O efeito é gradual e cumulativo.
O que são ultraprocessados? Alimentos que passam por etapas industriais e contêm ingredientes artificiais ou pouco comuns na cozinha. Têm alto teor de açúcar adicionado, sódio elevado, gorduras saturadas e trans, além de menor valor nutricional.
Entre os exemplos comuns estão refrigerantes, biscoitos industrializados, embutidos como salsicha e bacon, e pratos prontos congelados. Esses itens costumam compor uma parte relevante da dieta de muitos brasileiros.
Por que a preocupação é maior com o consumo frequente? A pesquisa aponta que calorias vindas de ultraprocessados estão associadas a riscos elevados de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. Grupos específicos merecem atenção.
Bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados de origem animal, como embutidos, destacam-se pela evidência de impacto negativo mais consistente. Mesmo sem eliminar totalmente, reduzir a frequência é recomendado para melhorar o perfil alimentar.
Como consumir com equilíbrio? A orientação é buscar alimentos naturais ou minimamente processados como base da dieta. Ultrapassar o uso ocasional de ultraprocessados ajuda a reduzir riscos à saúde a longo prazo.
Práticas simples ajudam: substitua lanches industrializados por opções mais simples, priorize água em vez de refrigerantes e prefira fontes proteicas menos processadas. Pequenas mudanças frequentes são mais eficazes que remoção drástica.
A mensagem central é clara: não há ponto de corte seguro, mas reduzir o consumo de ultraprocessados e valorizar alimentos de verdade é a estratégia mais eficaz para a saúde cardiovascular.
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