O mundo perdeu 4,3 milhões de hectares de floresta tropical intocada em 2025, uma queda de 36% em relação a 2024. A redução ocorreu principalmente devido a políticas brasileiras que visam frear o desmatamento, conforme anunciado pelo governo desde o início de 2023.
O relatório, elaborado pelo World Resources Institute e pela Universidade de Maryland e divulgado pelo Global Forest Watch, aponta que o Brasil teve papel decisivo nessa melhora, ainda que os demais países continuem pressionados pela expansão agrícola. Em termos globais, contudo, as nações desmatam 70% a mais do que o necessário para cumprir compromissos assumidos em 2023 para interromper e reverter a perda de florestas até 2030.
A agricultura continua como principal motor da derrubada, com impactos concentrados no Brasil, Bolívia e Indonésia, além de pressões em áreas de subsistência na República Democrática do Congo. Países produtores de óleo de palma, como Indonésia e Malásia, mantêm políticas que limitam a recuperação de áreas degradadas, apesar de avanços locais. A ampliação da produção de alimentos tem contribuído para o desmatamento em várias regiões.
No caso da Indonésia, o programa de expansão de produção de alimentos, promovido pelo governo, ajudou a elevar o desmatamento no ano passado, segundo o relatório. Grupos ambientais alertam para impactos de políticas que interromperam acordos que impediam a compra de soja de fazendas recém-desmatadas na Amazônia, perspectiva que pode se repetir no Brasil nos próximos anos.
Florestas do norte tiveram menor ritmo de desmatamento global, mas o conjunto de ecossistemas fora dos trópicos também registrou queda de 14% na perda de cobertura. Ainda assim, evidências de aquecimento global associadas a incêndios e secas persistem, com consequências para os sumidouros de carbono. No Canadá, a temporada de incêndios registrou recordes, e a queima de floresta boreal aumentou nos últimos três anos em relação à média dos 20 anos anteriores.
O relatório cita rod Taylor, diretor global de florestas do WRI, ao afirmar que as florestas continuam grandes sumidouros de carbono, mas incêndios e secas associadas ao aquecimento elevam seu potencial emissor. A atuação internacional segue essencial para manter os ganhos observados em 2025 e evitar retrocessos no combate ao desmatamento.
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