O Pacífico está mostrando sinais incomuns de aquecimento, segundo dados de Copernicus e NOAA. Pesquisadores identificaram, no início do ano, um padrão raro de aquecimento simultâneo em três regiões distantes: perto da Indonésia, na costa da América Central e ao longo da América do Sul. Esse mosaico forma um “anel” de calor ao redor de uma área central mais fria, caracterizando o que tem sido chamado de El Niño anular.
O padrão difere do El Niño tradicional, que concentra o aquecimento na faixa central e leste do oceano. No El Niño anular, a distribuição de calor sugere mudanças mais complexas na circulação atmosférica, aumentando a incerteza sobre a evolução do fenômeno. A princípio, há alerta para a possibilidade de um evento de grande intensidade, possivelmente superior ao El Niño clássico.
A configuração pode não necessariamente elevar o calor global total, mas pode redistribuir os impactos, deslocando regiões de chuva e seca. Eventos extremos passariam a ocorrer de forma mais intermitente, com maior dificuldade de previsão e, consequentemente, maior exposição a impactos imprevisíveis.
Se confirmado, os impactos teriam alcance global, mas seriam assimétricos. No Brasil, o Sul pode enfrentar chuvas acima da média e risco de enchentes, enquanto o Norte e o Nordeste podem ter calor mais intenso e períodos de seca. A Amazônia ficaria mais vulnerável a queimadas.
Em outras regiões, como Indonésia e Austrália, aumenta a probabilidade de estiagens severas. Partes das Américas podem registrar tempestades mais intensas, dependendo da evolução do fenômeno. Além disso, um El Niño forte tende a elevar a temperatura média global e aumentar a frequência de eventos extremos.
Portanto, a principal expectativa dos cientistas é de maior instabilidade climática ao longo do ano, com necessidade de monitoramento constante para antecipar impactos. Ainda não há confirmação de que o El Niño anular se consolidará, mas o cenário é acompanhado com atenção pelas agências de clima.
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