Às margens do rio Gregório, no Acre, a Aldeia Sagrada Yawanawá surge integrada à floresta. O projeto une ciência, arquitetura e saberes tradicionais, assinado por Marcelo Rosenbaum e pelo cacique Nixiwaka Biraci Brasil Yawanawá. A obra nasceu de mais de 14 anos de parceria.
O conjunto inaugurou-se com a 5ª Conferência Indígena da Ayahuasca, realizada em janeiro de 2025 no Centro Cerimonial Shuhu. A cerimônia marcou também a abertura oficial das estruturas, incluindo a Casa Modelo integrada à planta do complexo.
Aldeia Sagrada Yawanawá incorpora a Universidade dos Saberes Ancestrais, o principal edifício com cerca de 1.265 m². O layout reúne cozinha industrial, refeitório, áreas de redes, salas de aula e convivência, distribuídos em três blocos em formato de Y, segundo sugestão do cacique.
A madeira nativa manejada no território — entre Copaíba, Angelim-pedra e Maçaranduba — sustenta a construção. A arquitetura considera o comportamento das madeiras e os ciclos das águas como ritmo da obra, respeitando a sabedoria local.
O conjunto foi erguido em cerca de nove meses, um tempo considerado desafiador pela dupla. O argumento técnico aponta que a obra foi realizada com participação direta dos povos indígenas e ribeirinhos, sob acompanhamento de equipes especializadas.
Mais do que uma edificação, o projeto busca restabelecer a autonomia cultural e territorial do povo Yawanawá. A parceria entre ITA Engenharia, construireiros indígenas e comunidades ribeirinhas reforça o uso de tecnologias da floresta aliadas ao conhecimento técnico.
Estrutura e significado
O Centro Cerimonial Shuhu é marcado por um vão livre de 33 metros, pensado para accueillir rituais, encontros e grandes celebrações. O conjunto é apresentado como protótipo replicável para as famílias da aldeia, alinhado ao conceito de habitar a floresta com dignidade.
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