O estresse crônico pode favorecer o acúmulo de gordura na região abdominal, segundo pesquisa com foco nas mudanças hormonais provocadas pelo cortisol. O estudo aponta que o estresse prolongado altera o metabolismo e o armazenamento de energia, contribuindo para a chamada barriga de estresse.
O trabalho contou com a participação do pesquisador Rafael Appel Flores, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP). Ele explica que, em situações de tensão temporária, o organismo libera cortisol e adrenalina para enfrentar o desafio, retornando ao normal após o episódio.
Quando o estresse permanece, o alerta não se desliga. Flores descreve efeitos como aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial, desgaste do sistema imune e impactos no cérebro, com possíveis alterações de memória, humor e risco de ansiedade.
A combinação entre estresse crônico e rotina sedentária agrava o acúmulo de gordura abdominal. Práticas regulares de atividade física e momentos de relaxamento ajudam a reduzir o quadro, embora não eliminem completamente a gordura por si sós.
Mantendo o foco em ações simples, o pesquisador recomenda incorporar relaxamento, atividade física regular (mínimo de 30 minutos na maioria dos dias), sono adequado e vínculos sociais estáveis. Uma alimentação equilibrada potencializa esses efeitos.
Cortisol e diferenças entre sexos
A gordura visceral, concentrada na região da barriga, é mais sensível ao cortisol por abrigar mais receptores hormonais. O sinal do cortisol faz com que essa gordura seja alvo de acúmulo, gerando ciclo que aumenta o risco metabólico.
Conforme o perfil hormonal, homens costumam acumular mais gordura visceral sob estresse crônico. Já nas mulheres, a proteção hormonal pré-menopáusica desloca o depósito para quadris e coxas, com mudanças após o climatério, elevando o risco abdominal entre as idades seguintes.
O estudo observa que, ainda sob alimentação equilibrada, o estresse atua por vias hormonais independentes da dieta, intensificando o ganho de gordura visceral quando há comportamento alimentar impulsivo e redução de atividades físicas.
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