A ex-cantora de ópera Janine Roebuck, de 72 anos, passou por uma cirurgia experimental de implante coclear bilateral no Reino Unido e voltou a ouvir com clareza. A cirurgia, que envolve dispositivos em ambos os ouvidos, ocorre em meio a debates sobre acesso, custos e qualidade de vida. Roebuck já possuía um implante unilateral financiado pelo serviço público em 2019, e optou por pagar pelo segundo dispositivo.
A experiência da artista é tema de estudo clínico em grande escala. O Hospital Addenbrooke, em parceria com a Universidade de Cambridge, coordenará o programa que envolve mais de 250 pacientes em 14 hospitais. O objetivo é avaliar ganhos auditivos, bem-estar, saúde mental e integração social com o implante bilateral.
Cirurgia e diretrizes
No sistema público britânico, a recomendação para adultos costuma ser apenas um implante coclear, por razões de custo-benefício. A avaliação nacional de tecnologias de saúde aponta limitações econômicas e evidências ainda insuficientes para adoção generalizada do modelo bilateral em adultos.
Roebuck descreveu à BBC a transformação proporcionada pelos dois dispositivos, destacando sons mais encorpados e naturais. Para médicos envolvidos no estudo, os implantes bilaterais podem oferecer ganhos adicionais, como percepção espacial e melhor compreensão da fala em ambientes barulhentos.
Estudo e impactos
O estudo visa, ao fim de 12 meses de acompanhamento, fornecer dados sobre viabilidade econômica para o sistema público. Caso os resultados sejam positivos, poderão embasar revisões das diretrizes nacionais de saúde e ampliar o acesso ao implante bilateral para adultos.
Roebuck se tornou símbolo de possível mudança na medicina auditiva, mantendo a busca por maior inclusão de pessoas com deficiência auditiva. A pesquisa busca esclarecer impactos do tratamento na qualidade de vida e na integração social.
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