O mecanismo que regula o fluxo sanguíneo que irriga o cérebro ganhou nova evidência com pesquisa da Universidade de Harvard, publicada na Nature. O estudo identifica como neurônios no coração participam da manutenção da pressão de fluxo cerebral quando a pessoa fica em pé. A descoberta envolve a proteína PIEZO2, que transforma a pressão nas membranas do coração em sinais elétricos nesses neurônios.
Segundo os pesquisadores, camundongos em posição ortostática ajustam o ritmo cardíaco para manter o fluxo sanguíneo cerebral. Ao bloquear a PIEZO2, esse ajuste não ocorre, sugerindo que o controle fino do fluxo depende mais do volume de sangue que passa pelo coração do que de receptores tradicionais na aorta e nas carótidas.
A equipe também observa que, ao provocar hemorragia nesses animais, os neurônios com PIEZO2 são os primeiros a sinalizar a necessidade de compensação da pressão do fluxo sanguíneo. A conclusão aponta que a fisiologia da síncope envolve um mecanismo de adaptação mais direto ao coração do que se supunha anteriormente.
A pesquisa reforça a ideia de que humanos possuem neurônios PIEZO2, abrindo caminho para novas linhas de estudo sobre desmaios e prejuízos na circulação cerebral. A leitura é que o controle do fluxo cerebral pode depender de sinais oriundos do coração, não apenas de sensores na grande circulação.
Ricardo Afonso Teixeira, doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília, comenta que o achado pode influenciar entendimentos sobre síncope vasovagal e seus desdobramentos clínicos. Ainda não há aplicações diretas, mas o estudo oferece uma base para futuras pesquisas.
Entre na conversa da comunidade