Oito a dez anos após a história de Ianka Mikaelle e Sophia, a BBC News Brasil retornou a Campina Grande, Paraíba, para mostrar como mãe e filha enfrentam as consequências da Zika. Hoje, a família vive sob a tutela de Vitor Francisco de Lima, marido de Ianka, com Ester, nascida em 2024, e o bebê Efraim que chegou em 30 de abril. A cidade abriga ainda o acompanhamento médico de Sophia, que depende de uma dieta por sonda.
Sophia, hoje com 10 anos, consome a papinha por meio de sonda devido a vômitos, refluxo e risco de broncoaspiração. Ester, de pouco mais de um ano, participa ativamente da rotina familiar. A família manteve contato com a imprensa desde o nascimento de Sophia, acompanhando o desenvolvimento e as mudanças na vida cotidiana em Campina Grande.
A jovem mãe, Ianka, recorda o abandono do pai de Sophia quando ainda era adolescente, e como a situação motivou uma nova etapa de vida ao lado de Vitor, que adotou a menina. O casamento aconteceu em 2023, e a família vem reconstruindo ganhos financeiros por meio de uma indenização prevista pela legislação que trata da síndrome congênita associada ao vírus da zika.
Indenização e impactos financeiros
Com a vigência do PL 6064/23, a família passou a receber R$ 50 mil de indenização e uma pensão vitalícia no teto da Previdência, hoje de aproximadamente R$ 8.475,55. A renda adicional permitiu ampliar a alimentação, manter o negócio familiar e custear parte da fisioterapia em casa.
Ianka comenta que a indenização ajudou a viabilizar recursos que antes não estavam disponíveis, especialmente para itens de saúde e bem-estar de Sophia. O benefício também impulsionou a permanência da família no próprio lar, reduzindo custos com deslocamentos para o Ipesq.
Segundo o INSS, 1.889 famílias já receberam indenização, 846 aguardam decisão e 1.850 recebem pensões vitais. Há casos de negativa de benefício, com possibilidade de recurso ou novo pedido para quem discorda da decisão.
Desafios e avanços
O cotidiano da família inclui reformas na casa para ampliar o espaço destinado à fisioterapia de Sophia e facilitar a mobilidade, além de manter Ester integrada ao núcleo familiar. A escoliose da menina agrava a necessidade de apoio contínuo, e apenas Vitor consegue carregá-la com segurança.
Ianka também relata receios sobre o impacto emocional da Zika, especialmente em ultrassons de gestações subsequentes, que mantiveram o miedo de novas complicações. Mesmo assim, a confirmação clínica de que o cérebro de Ester e Efraim estava normal trouxe alívio.
A mãe reforça que o cuidado com Sophia continua exigente, mas com o apoio recente a vida da família ganhou maior estabilidade. O objetivo é manter o bem-estar da filha e equilibrar as responsabilidades entre os filhos.
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