A China rejeitou nesta quarta-feira as acusações dos Estados Unidos de que laboratórios chineses roubam capacidades de modelos americanos de inteligência artificial (IA). O Ministério do Comércio classificou as alegações como “sem fundamento”, em meio à disputa entre os dois países pela liderança tecnológica.
A agência americana de defesa cibernética publicou na terça-feira um alerta que acusa grandes laboratórios chineses, incluindo DeepSeek e Moonshot AI, de copiar sistematicamente essas capacidades “por meio de campanhas de destilação de conhecimento em escala industrial”.
O documento antecede um encontro previsto para este mês entre o presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, na Casa Branca. A inteligência artificial pode ser um dos principais assuntos da reunião.
Em comunicado, o Ministério do Comércio chinês afirmou que os Estados Unidos usam o combate à destilação como pretexto para obter um monopólio industrial.
“A abordagem dos EUA é um caso típico de utilização da repressão à destilação como pretexto para alcançar o monopólio industrial”, declarou a pasta, que também classificou as acusações americanas como um “caso de duplos padrões”.
Alerta dos EUA aponta seis empresas chinesas
A destilação consiste em treinar um modelo de inteligência artificial para imitar as respostas de outro maior e mais capaz. Embora o setor use amplamente esse método, Washington afirma que empresas chinesas o aplicam em grande escala para copiar sistemas americanos de forma ilícita.
Segundo o alerta, DeepSeek, Moonshot AI, Alibaba, MiniMax, StepFun e Z.AI teriam usado milhões de interações e solicitações para roubar capacidades de modelos de empresas como OpenAI, Anthropic, Google e xAI.
O documento afirma que as companhias chinesas que adotam essa estratégia “observam prazos de desenvolvimento de IA significativamente mais curtos e despesas financeiras reduzidas no treinamento de um modelo de vanguarda”.
Ainda conforme o alerta, essas ações ocorrem pelo menos desde o fim de 2024, “provavelmente sem o conhecimento do governo Chinês“
Startups pediram cautela com restrições a modelos estrangeiros
Trump enfrenta pressão para responder ao sucesso crescente dos modelos chineses de IA, que muitas empresas preferem às versões americanas da Anthropic ou da OpenAI, mais potentes, porém mais caras.
Em julho, dezenas de startups enviaram uma carta ao governo Trump para pedir cautela antes de qualquer proibição total ou restrição severa a modelos de IA desenvolvidos no exterior. As empresas defenderam que limitações desse tipo só deveriam ser consideradas para o uso da tecnologia pelo governo.
Naquele mesmo mês, Pequim fez uma acusação no sentido oposto e afirmou que sistemas americanos de IA usavam exemplos chineses para treinar seus modelos.
Questionada sobre as acusações americanas em uma entrevista coletiva de rotina nesta quarta-feira, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse que os Estados Unidos deveriam “Se abster de fazer acusações infundadas e de difamar a China.”.
“O desenvolvimento da inteligência artificial na China é resultado da conquista de um alto nível de autossuficiência e força em ciência e tecnologia,” afirmou. “Tanto a China quanto os Estados Unidos são países importantes na área de IA. Devemos fortalecer a cooperação.”
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