Didier Queloz, Nobel de Física em 2019, revelou ao Estadão que a primeira detecção de um exoplaneta quase lhe custou a carreira. O momento foi vivido com pânico, não com celebração, ao perceber que poderia estar diante de um erro.
Não houve euforia imediata. O jovem doutorando da Universidade de Genebra temia ter enganado a ciência. Foram anos de esforço para convencer o mundo e confirmar a descoberta, que só foi reconhecida plenamente em 1999, com o trânsito do planeta.
A pesquisa revolucionou a astronomia ao mostrar que planetas fora do Sistema Solar existem. Hoje, o tema envolve milhares de pesquisadores e novas perguntas sobre vida e a diversidade de mundos. Queloz associa a revolução à curiosidade humana.
Queloz comenta que compreender as consequências de tais mudanças leva tempo. Ele ressalta o papel da ciência na melhoria da vida cotidiana e aponta o uso da inteligência artificial como ferramenta promissora, apesar de apontar desafios energéticos.
O físico suíço participa do São Paulo Innovation Week, evento global de tecnologia e inovação realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos. A edição acontece entre 13 e 15 de maio na Faap e na Arena Pacaembu, reunindo mais de duas mil palestras.
Assinantes do Estadão têm acesso a conteúdos exclusivos sobre o festival, com opções para resgatar o passaporte de três dias. Não assinantes podem adquirir ingressos por meio de plataformas oficiais do evento.
Em 1995, Queloz e a equipe construíram o espectrógrafo, máquina pioneira que mediu a velocidade estelar com alta precisão. Detectaram pequenas oscilações causadas pela gravidade de um planeta em órbita, inicialmente interpretadas com cautela.
A descoberta exigiu confirmação rigorosa, já que o sinal poderia ter origem no equipamento ou no código. Depois de meses, a evidência tornou-se inequívoca, e a comunidade científica aceitou o achado, consolidando uma nova linha de pesquisa.
Para o pesquisador, a revolução não foi fácil de prever em seus impactos. Hoje, ele observa que futuros estudos sobre exoplanetas podem revelar padrões de formação e possibilidades de vida em outros mundos. A mudança, porém, é gradual.
Queloz enfatiza que entender uma revolução científica demanda paciência e, muitas vezes, décadas. Além disso, defende maior investimento em ciência para beneficiar a sociedade, com educação como alicerce.
Sobre o papel atual da ciência, ele aponta que o conhecimento serve ao cotidiano e que avanços significativos dependem de uma base educacional sólida e de uma gestão responsável de recursos públicos e privados.
Em relação à inteligência artificial, o físico vê potencial para resolver problemas complexos, desde modelagem de proteínas até grandes projetos de pesquisa. Ainda assim, ele destaca a necessidade de lidar com o gasto energético da IA.
No domínio espacial, Queloz ressalta um debate atual entre exploração humana e robótica. Embora a presença humana desperte interesse, ele aponta que robôs podem cumprir funções essenciais com menos riscos e custos.
Quanto ao espaço como plano B da Terra, o cientista critica os investimentos excessivos em armamentos e defende a sustentabilidade e o monitoramento ambiental via observação espacial. A visão enfatiza equilíbrio entre ciência e responsabilidade planetária.
A entrevista destaca ainda críticas a figuras de destaque no setor privado. Queloz pondera que o impulso à ciência deve ser guiado pela pesquisa e evidências, não por estratégias de marketing ou curiosidade mercadológica.
Ao final, fica a ideia de que a ciência avançará com o tempo, alimentando novas gerações de pesquisadoras e pesquisadores. A curiosidade e o compromisso com evidências continuam no centro da busca por respostas sobre o cosmos.
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