Os Países Baixos apresentaram-se, em estudo da BBC Mundo, como o terceiro maior exportador mundial de alimentos, apesar de terem território equivalente a 41 mil km². O avanço ocorre por meio de um ecossistema de inovação aliado a estufas de alta tecnologia e cooperação entre universidades, empresas e produtores.
Na Wageningen University & Research (WUR), no coração do Food Valley, pesquisadores desenvolvem sistemas que combinam sensores, água, luz e algoritmos de IA para maximizar a produtividade. A produção em estufa chega a até 100 kg de tomate por metro quadrado por ano, bem acima de sistemas menos tecnológicos.
A proximidade geográfica facilita a troca de conhecimento entre agricultores e pesquisadores. Leilões de hortaliças e flores, cooperativas locais e uma rede de contatos reduzem distâncias e aceleram a transferência de resultados para o campo.
Ecossistema de inovação
No campus, universidades convivem com departamentos de grandes empresas como Unilever e FrieslandCampina. O financiamento vem do governo e de parcerias com a indústria, com acordos sobre transparência, confidencialidade e propriedade intelectual.
Esse ecossistema sustenta avanços que vão além das estufas: drones, escaneamento de solo e manejo de fertilizantes, sempre com foco em eficiência hídrica e redução de impactos ambientais.
Cientistas destacam que a infraestrutura de Wageningen permite experimentar formas de produção como hidroponia, cultivo em substratos e controle ambiental preciso. A integração entre pesquisa e aplicação prática é um diferencial central.
Desafios de energia e futuro
O maior gargalo identificado é o consumo de energia. A transição para fazendas verticais de ambientes fechados também depende de fontes renováveis, para reduzir emissões e custos.
Especialistas ressaltam que, no clima frio dos Países Baixos, aquecer estufas consome gás natural. A continuidade da pesquisa busca soluções para armazenar energia e usar menos recursos fósseis.
A pesquisadora Cristina Zepeda aponta que o desafio é adaptar tecnologias às realidades regionais, especialmente na América Latina, com maiores temperaturas e disponibilidade de radiação solar. A parede úmida é citada como exemplo de possibilidade de resfriamento ativo.
IA, bem‑estar e clima
Além da produção, Wageningen utiliza IA para monitorar o comportamento de animais na pecuária, visando reduzir emissões de metano e melhorar o bem-estar. Projetos internacionais somam esforços para diminuir impactos ambientais ao longo de várias gerações.
Na pecuária, a meta de reduzir 25% das emissões de metano em 25 anos é considerada factível por especialistas ouvidos pela BBC Mundo. A genética e o monitoramento por vídeo são ferramentas centrais.
Transferência de tecnologia
Anualmente, cursos na escola de verão de Wageningen atraem participantes de diversas regiões, incluindo a América Latina. Soluções como hidroponia são destacadas como potenciais contribuintes, desde que adaptadas ao contexto local.
Especialistas ressaltam que não há simples cópia de soluções: cada região impõe desafios diferentes, como resfriamento ativo, gerenciamento de água e aproveitamento de radiação solar. A adaptação é a chave.
Essas inovações apontam caminhos, não receitas prontas, para aumentar produção de alimentos com menos uso de terras, preservar recursos naturais e promover inclusão de produtores de diferentes perfis na América Latina.
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