O Brasil deve receber em junho o primeiro medicamento autorizado pela Anvisa que atua na progressão do Alzheimer. O lecanemabe foi aprovado para pacientes em estágios iniciais da doença e representa um marco histórico na neurologia nacional.
A droga é um anticorpo monoclonal que atua sobre as placas de beta-amiloide no cérebro, associadas ao Alzheimer. Em estudos, houve desaceleração do declínio cognitivo em pacientes com doença em fase inicial, o que reforça a ideia de uma nova abordagem terapêutica.
O destaque fica por conta do seu uso restrito a critérios diagnósticos específicos, incluindo a confirmação por biomarcadores. O tratamento exige acompanhamento cuidadoso, pois pode trazer efeitos adversos como edema cerebral e micro-hemorragias.
Desafios para o diagnóstico e o acesso
Para o neurocientista Fernando Gomes, a eficácia do medicamento depende do diagnóstico precoce. Muitos pacientes ainda chegam ao neurologista em estágio avançado, dificultando o benefício da terapia e a preservação de funções cerebrais.
A chegada do lecanemabe acende o debate sobre custos, disponibilidade e estrutura diagnóstica no país. Mesmo com o potencial de desaceleração da doença, não há cura nem recuperação completa da memória segundo o especialista.
O avanço também sugere a necessidade de ampliar a detecção precoce, orientar a população sobre sintomas iniciais e fortalecer o sistema de saúde para acompanhar pacientes em tratamento com a nova terapia.
Segundo Gomes, o marco é simbólico: confirma que é possível interferir de forma mais eficaz nos mecanismos biológicos da doença, alterando a percepção social sobre envelhecimento e saúde cognitiva.
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