O que antes era visto como tradição, ganha respaldo científico. Ervas usadas em chás calmantes podem reduzir a agitação mental e favorecer o sono, segundo avaliação médica revelada à CNN Brasil. A pesquisadora citada é a médica Inácia Simões, especialista em Anestesiologia e Dor.
A entrevista aponta que camomila, valeriana, maracujá (passiflora), lavanda e erva-cidreira (melissa) mostram efeitos ansiolíticos e sedativos em estudos clínicos. O mecanismo envolve a modulação do sistema GABAérgico, comum em fármacos ansiolíticos.
Essas plantas agem de maneira sistêmica, com efeitos adicionais em vias monoaminérgicas e serotoninérgicas, além de influências no eixo HPA e ações anti-inflamatórias. A vantagem é o relaxamento com menos impactos cognitivos e menor risco de abstinência.
Top 5 ervas com atuação neurológica
Camomila é uma das mais estudadas, associada a efeitos ansiolíticos e analgésicos. A literatura aponta potencial de modulação GABAérgica, embora haja vieses em alguns dados.
Valeriana recebe destaque pela influência direta sobre receptores GABA-A. Embora as evidências ainda sejam limitadas, o tratamento pode oferecer benefício para insônia associada à ansiedade.
Maracujá, via passiflora, apresenta efeitos calmantes e moderadores da ansiedade. Pesquisas sugerem que combinações com valeriana podem ter eficácia comparável a tratamentos convencionais.
Lavanda aparece com forte suporte na literatura, com efeitos ansiolíticos e melhora da insônia. Estudos destacam a atuação por meio do sistema GABAérgico, com a forma Silexan apontada em algumas avaliações.
Erva-cidreira também mostra atuação calmante pelo ganho ansiolítico via GABA, com evidências que apoiam uso segura em transtornos de ansiedade.
Segurança e riscos
Embora considerados de perfil seguro, os chás devem ser usados com cautela. Camomila e lavanda costumam ter boa tolerabilidade, enquanto valeriana pode provocar cefaleia e desconfortos gastrointestinais.
Maracujá em altas doses pode causar sedação excessiva, ataxia e depressão do SNC. Interações com outros sedativos são uma possibilidade com a lavanda, exigindo atenção médica.
Ciência em evolução
A consolidação clínica dessas ervas ainda depende de ensaios maiores e bem desenhados. A prática clínica pode variar conforme duração do tratamento, perfil do paciente e método de preparo da infusão.
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