A Mata Atlântica, historicamente o bioma mais devastado do Brasil, vive uma encruzilhada entre a meta de desmatamento zero até 2030 e as pressões de restauração. Dados de 2025, divulgados pela Fundação SOS Mata Atlântica, mostram queda nas duas principais linhas de monitoramento.
O Sistema SAD Mata Atlântica registrou queda de 28% no desmatamento, de 53.303 ha em 2024 para 38.385 ha em 2025. Já o monitoramento de florestas maduras, realizado com o INPE, apontou 8.658 ha desmatados, redução de 40% frente ao ano anterior.
O recorte histórico aponta o menor valor da série do Atlas dos Remanescentes Florestais desde 1985. O conjunto de dados envolve áreas acima de 3 ha e alertas semanais com detecção a partir de 0,3 ha, ampliando a vigilância. A elevação da fiscalização influencia esses números.
Para os especialistas, o resultado é positivo, mas ainda insuficiente para evitar perdas significativas. A redução é atribuída a medidas de impacto econômico, como cortes de crédito rural e embargo de áreas com desmatamento ilegal, que afetam o ritmo da derrubada.
No entanto, há apreensão sobre o futuro: mudanças na lei de licenciamento ambiental podem facilitar desmatamento em áreas de vegetação nativa. Em especial, municípios podem obter liberação menor complexidade técnica, elevando o risco aos principais remanescentes.
Onde o desmatamento persiste mesmo com queda
Regionais lideram as perdas: Bahia e Minas Gerais concentram quase 90% da área desmatada em 2025, seguidas pelo Piauí e pelo Mato Grosso do Sul. Regiões de transição com Cerrado e Caatinga mantêm focos, enquanto sul do país apresenta redução.
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