A Henna, pigmento natural extraído das folhas da planta Lawsonia inermis, volta às manchetes com ciência brasileira. Pesquisadores publicaram um estudo no Royal Society of Chemistry Advances apresentando um método limpo para transformar a lausona em compostos bioativos, sem solventes e a seco. A parceria envolve equipes da UFF e da UERJ.
O objetivo é criar derivados ativos com potenciais antifúngos, anti-inflamatórios e anticancerígenos, mantendo a química ambientalmente responsável. O método substitui solventes tóxicos por uma abordagem de moagem mecânica, alinhada aos princípios da química verde.
Reação sem solvente e por moagem
A pesquisa utiliza quitosana sulfônica, obtida a partir de carapaças de crustáceos, como catalisador sólido. Esse material atua também como auxiliar de moagem, facilitando a mistura dos reagentes e sendo biodegradável e renovável. A reação ocorre apenas com a energia da moagem.
A partir da união entre duas moléculas de lausona e um aldeído, formam-se bis-lausonas funcionalizadas. O processo ocorre em reator de moagem com esferas de aço inoxidável, eliminando a necessidade de solventes líquidos.
Resultados e potencial industrial
Os derivados obtidos tiveram rendimento acima de 90%, com tempos de reação entre 1 e 3 horas, superando métodos convencionais que demoram até 12 horas. Além disso, o procedimento mostrou capacidade de ampliação sem perda de eficiência.
A quitosana sulfonada foi reutilizada em cinco ciclos, com queda de apenas 8% no rendimento — permanecendo próximo de 80% — e mantendo a integridade do catalisador. A reciclagem reforça a viabilidade industrial da abordagem.
Impacto e financiamento
A iniciativa reforça a aplicação de reações a seco na síntese de compostos com interesse médico e industrial, reduzindo desperdícios e emissões. O estudo integra o Instituto Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem, com apoio do CNPq, FAPERJ e Capes.
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