Na França, um sítio na Reserva Natural Nacional de Sainte-Victoire revelou 552 ovos de dinossauro preservados há cerca de 76 milhões de anos. O achado ocorreu em uma área de um hectare, sob camadas de argila vermelha que remontam ao Cretáceo Superior.
A descoberta integra a quarta campanha do projeto “Brossons les œufs” (Vamos escovar os ovos), realizada pela reserva e pelo Muséum d’Histoire Naturelle d’Aix-en-Provence. Em setembro de 2024, pouco mais de 160 pessoas participaram das escavações.
Segundo a Science et Avenir, a participação variou entre 4 e 74 anos. Ao longo de uma década, quase mil ovos já foram recuperados nesse hectare, sugerindo que o sítio pode abrigar milhões de ovos ainda inéditos no subsolo.
Localização e condições
O sítio fica na região de Bouches-du-Rhône, no sul da França, conhecida por sedimentos argilosos avermelhados do Cretáceo Superior. Rios antigos depositaram lama e areia que selaram os ovos, preservando-os por milhões de anos.
A erosão anual revela novos fósseis, incluindo dentes de predadores, fragmentos ósseos e cascas de ovos. Esse ciclo contínuo transforma a reserva num sítio paleontológico vivo, com potencial de descobertas a cada estação chuvosa.
Características dos ovos
Os ovos identificados pertencem a herbívoros de grande porte. A forma esférica sugere quatro famílias possíveis: titanossaurídeos, rhabdodontídeos, hadrossaurídeos ou nodossaurídeos. A preservação é considerada excepcional pelos pesquisadores.
A porosidade da casca permite estudos sobre o clima quente e úmido que predominava no sul da França no fim do Cretáceo Superior. Tais dados ajudam a reconstruir condições paleoclimáticas da época.
Comportamento reprodutivo
A densidade dos ninhos indica que dinossauros retornavam ao mesmo local ano após ano para desovar, similar ao comportamento de tartarugas marinhas atuais. Evidências incluem ovos em camadas sobrepostas e concentração elevada em área restrita.
A expansão da reserva deve dobrar em breve para ampliar escavações e proteger o patrimônio paleontológico. A continuidade das escavações também busca entender melhor a vida dos dinossauros na Provença.
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