Um vinicultor da região de Riverland, em Adelaide, utiliza uva branca antiga de Chipre para enfrentar a seca extrema e os custos de água. A variedade Xynisteri, introduzida na Austrália em 2018, começa a ganhar atenção entre produtores que buscam alternativas mais resistentes ao clima.
Em Riverland, Yianni Koutouzis cultiva 800 vinhedos de Xynisteri e relata redução de consumo hídrico na casa dos 75% em relação às videiras de Shiraz e Chardonnay. A uva suporta calor acima de 45°C e apresenta pele mais espessa, contribuindo para a tolerância a queimaduras pelo sol.
A mudança climática e a pressão sobre o abastecimento hídrico aceleraram a busca por variedades resistentes. Dados da ABC indicam três anos consecutivos de precipitações abaixo da média em partes da Austrália do Sul, com ondas de calor severas que afetaram vinhedos.
O preço da água também gira em torno de fatores econômicos. Relatórios indicam que o preço em mercados hídricos da Bacia Lower Murray Darling quase dobrou no último ano, chegando a aproximadamente AU$ 400 por megalão.
Segundo Peter Hayman, do South Australian Research and Development Institute, o custo relativo da água diante do preço obtido pela uva é uma preocupação crescente para os produtores. Staicou-se o desafio de manter margens quando os rendimentos por tonelada caem.
Desempenho e investimentos
Na Barossa Valley, produtores Paul Georgiadis e Mara Georgiadis já comercializam a primeira safra de Xynisteri, plantando inicialmente 90 vinhedos em 2021 e expandindo para mais de 600 ao longo de um ano. O projeto faz parte de uma tendência de diversificação para enfrentar a pressão climática.
Além disso, há iniciativas de diferenciação climática no setor, com projetos de maturação de vinho submerso, como o Subsea Estate em Western Australia, que buscam novas formas de adaptar a produção aos efeitos do aquecimento global.
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