A rede LatamChequea, que reúne 47 organizações de verificação de fatos da América Latina, afirmou nesta quinta-feira (10) que o novo sistema de moderação por usuários testado pela Meta em 16 países da região não dá conta sozinho dos “contextos de alta desinformação” enfrentados hoje. Segundo a entidade, o modelo deveria reforçar o trabalho de checagem profissional, e não tomar seu lugar.
“As Notas da Comunidade, que serão testadas nos países de língua espanhola da região, poderiam ser uma contribuição valiosa se implementadas como um complemento à verificação independente (…). A preocupação reside na possibilidade, levantada pela plataforma, de que a verificação independente seja substituída por esse sistema“, declarou o grupo em um comunicado.
Meta testa ferramenta de checagem de fatos em 16 países da América Latina
A ferramenta de moderação coletiva segue o modelo adotado por Elon Musk no X e tem como objetivo eliminar gradualmente as checagens feitas por profissionais de imprensa, caminho que a Meta já seguiu nos Estados Unidos no ano passado.
A LatamChequea também questionou a confiabilidade das fontes que embasarão as notas escritas por usuários comuns, justamente “em um momento crítico” de avanço da desinformação na região, agravado pela disseminação de conteúdos falsos criados ou manipulados por inteligência artificial.
Repercussão das Notas da Comunidade
Com a manifestação desta quinta, a LatamChequea passa a integrar o coro de críticas já levantado pela Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN), entidade da qual a AFP faz parte. Angie Drobnic Holan, diretora da IFCN, afirmou estar “profundamente preocupada” com a decisão.
Em março, o próprio Conselho de Supervisão da Meta, instância quase independente mantida pela própria empresa para avaliar decisões de moderação, havia alertado que as Notas da Comunidade não substituem de forma adequada a checagem profissional fora do território americano.
O colegiado apontou que a implementação global da ferramenta pode resultar em violações de direitos humanos em países marcados pela polarização política e em períodos eleitorais tensos.
Países envolvidos
A mudança implementada pela empresa de Mark Zuckerberg atinge Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
O Brasil ficou de fora da lista, mesmo sendo o maior mercado das plataformas da Meta na região e tendo eleições presidenciais marcadas para outubro.
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O anúncio da Meta coincide com um período de ascensão de candidatos conservadores e de extrema direita à presidência em diversos países latino-americanos, geralmente com discursos favoráveis à desregulamentação, ao endurecimento penal e a respostas rápidas contra o narcotráfico e a criminalidade.
Esses líderes costumam citar como referência o presidente salvadorenho Nayib Bukele e o americano Donald Trump, além de contarem com apoio do governo de Washington.
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