O que aconteceu: dois estudos recentes sobre psilocibina e depressão, publicados no Jama Psychiatry e no New England Journal of Medicine (NEJM), apresentaram desfechos desfavoráveis ou neutros em relação ao objetivo primário. Ambos avaliam eficácia de terapias psicodélicas frente a antidepressivos tradicionais.
Quem está envolvido: pesquisadores de Imperial College London, Universidade de Oxford? (campanhas de colaboração com UCSF) e equipes lideradas por Balázs Szigeti e Robin Carhart-Harris. Participaram adultos com depressão resistente, em casos avaliados em hospitais universitários.
Quando: os artigos foram divulgados em 2023-2024, com publicação simultânea no Jama Psychiatry e no NEJM. A equipe liderada por Szigeti também publicou estudo complementar na mesma janela temporal.
Onde: centros de pesquisa na Alemanha, Reino Unido e EUA, incluindo hospitais universitários envolvidos nos ensaios clínicos com psilocibina e comparações com antidepressivos.
Por quê: o objetivo foi medir se a psilocibina oferece benefício superior ou equivalente aos ISRSs em depressão resistente, avaliando também a segurança e efeitos colaterais, buscando ampliar opções terapêuticas.
Resultados dos estudos
O estudo alemão Episode, com 144 adultos, comparou psilocibina em várias dosagens a placebo em um ensaio duplo-cego. O desfecho primário, redução de 50% nos escores HAM-D17 em seis semanas, não foi atingido de forma estatisticamente significativa.
Ainda assim, resultados secundários, como a pontuação no questionário Beck, sugeriram potencial terapêutico da psilocibina. Técnicas de avaliação diferentes podem explicar a discrepância entre desfechos primários e secundários.
Desenho e interpretação dos dados
O segundo estudo, envolvendo Balázs Szigeti e membros da UCSF, comparou psicodélicos com estudos de antidepressivos abertos sem placebo. Verificou-se que não há diferença significativa entre as classes quando se comparam escores pré e pós-tratamento.
Autor reconhece que o open label pode inflar efeitos observados. Observa-se também que antidepressivos da classe ISRS apresentam efeitos adversos relevantes e não funcionam para todos os pacientes, abrindo espaço para considerar terapias distintas em regimes esporádicos.
Implicações para a pesquisa
Os estudos ressaltam que a ciência avança com dados negativos tanto quanto com resultados promissores. Desenhos de estudo mais robustos e controles adicionais podem refinar a avaliação da psilocibina como opção terapêutica para depressão resistente.
Balázs Szigeti aponta que, embora os ISRSs também apresentem limitações sem placebo, os psicodélicos exigem observação cautelosa de efeitos adversos e de duração dos benefícios, com foco em uso eventual e benefícios prolongados.
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