O médico José Marcos, especialista em dor e anestesiologia, afirma que não existe um alimento universalmente proibido para enxaqueca. A relação entre comida e crises é individual e varia entre 10% e 64% dos pacientes, conforme o caso.
Gatilhos comuns como álcool, principalmente vinho tinto, e cafeína, são os mais bem descritos na literatura. Substâncias químicas presentes em alguns alimentos podem estimular vias de dor no sistema trigeminal, mas a evidência ainda é diversa e depende do contexto técnico dos estudos.
A explicação química envolve compostos como tiramina, nitritos e feniletilamina, presentes em queijos envelhecidos, carnes processadas e adoçantes. Em alguns casos, a resposta pode depender de fatores individuais, como a sensibilidade neural e o estado diário da pessoa.
Em vez de dietas de exclusão extremas, a prática clínica atual recomenda monitoramento estruturado. O diário alimentar surge como ferramenta eficaz para distinguir gatilhos reais de percepções sem base sólida, evitando restrições desnecessárias.
A evidência não sustenta dietas universais de eliminação. Em contrapartida, intervenções como dieta cetogênica e dieta DASH, com qualidade moderada de evidência, mostram redução na frequência e na intensidade das crises em alguns pacientes.
Além disso, manter hidratação adequada e evitar jejum prolongado aparecem como pilares para estabilizar o quadro e melhorar a qualidade de vida. A combinação de hábitos consistentes costuma ser mais benéfica do que mudanças extremas na alimentação.
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