Nesta segunda-feira, a Veriff, empresa de identidade digital, em parceria com a Kantar, divulgou um relatório que aponta o Brasil como o país mais impactado por deepfakes. Segundo o estudo, a população brasileira é a menos capaz de identificar vídeos gerados por IA. A divulgação alerta para a erosão da capacidade de distinguir a verdade.
O levantamento enfatiza que a tecnologia não é uma falha moral individual nem a culpa exclusiva das pessoas. A mensagem é de que o avanço das plataformas de IA tem superado medidas de mitigação adotadas pelas próprias empresas.
A publicação também aponta um efeito sistêmico: a credibilidade de jornais, universidades e outras instituições que tradicionalmente buscam a verdade vem sendo desafiada. Grupos que se beneficiam do caos informativo ampliam esse desafio.
Riscos e evidências
O relatório sustenta que a credibilidade pública pode receber impactos duradouros se a confiança nas fontes se deteriorar. A disseminação de conteúdos falsos tende a reduzir a confiança em pessoas e organizações.
Pesquisas acadêmicas citadas, como a de Elizabeth Loftus, indicam que deepfakes podem criar memórias falsas. Experimentos demonstram que voluntários passaram a lembrar de situações que nunca ocorreram, ao serem expostos a imagens e vídeos manipulados.
Impacto no comportamento social
O estudo sugere que o aumento da qualidade das produções de IA gera maior probabilidade de enganar, o que eleva riscos em golpes financeiros, falsas reputações e desinformação política. A já sensível relação entre veracidade e tomada de decisão pode ficar comprometida.
Em 2024, há expectativa de que o tema se intensifique com o aperfeiçoamento da IA generativa. Especialistas defendem a necessidade de mecanismos para resgatar a confiança em informações verificáveis e fontes com curadoria humana.
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