O professor Dan Herman, da Universidade de Toronto, participou do São Paulo Innovation Week para discutir o avanço dos robôs autônomos na guerra e o surgimento de polos de inovação fora dos grandes centros. Ele mostrou como a evolução acelerou a partir de iniciativas governamentais e da pressão de conflitos recentes.
Em 2022, voluntários improvisavam drones em garagens com fita adesiva. Em 2025, o Canadá registrou mais de 500 empresas de defesa produzindo veículos não tripulados, IA e guerra cibernética, segundo Herman. O mecanismo citado foi a Brave 1, plataforma criada pelo governo ucraniano para conectar soldados a desenvolvedores.
Mecanismos de inovação e uso dual
O professor destacou o papel do governo na interface com startups, porém ressaltou que regras costumam atrasar casos de uso no front. Um exemplo citado foi a startup PetCube, que adaptou sensores de câmeras para aplicações militares, segundo Herman.
A iniciativa de financiamento público apoiou testes no campo de batalha com ciclos de feedback de uma semana, incentivando o duplo uso entre civilian e militar. Além disso, a guerra evidenciou nova assimetria de custos entre mísseis caros e drones de menor valor.
Perspectivas globais e impactos estratégicos
Herman afirmou que o conflito na Europa deixou de ser bilateral e envolve o mundo todo, com países do Golfo, Sudeste Asiático, Japão e Canadá buscando aprender com o modelo ucraniano. Brasil, Canadá, Coreia do Sul, Japão e Taiwan aparecem como potenciais parceiros para cadeias de suprimento resilientes.
O docente apontou ainda que avanços na defesa tecnológica implicam mudanças nas doutrinas militares e nas decisões de comando. A robotização do campo de batalha é vista como necessária por algumas partes, mas traz questionamentos sobre o controle humano.
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