Seis anos após as primeiras manchetes sobre a Covid-19, surge uma notícia inédita: o Ensitrelvir mostrou eficácia na prevenção da doença entre pessoas expostas ao vírus. O antiviral da empresa japonesa Shionogi funciona ao bloquear a protease do coronavírus, essencial para a replicação.
O estudo, publicado no New England Journal of Medicine, envolveu mais de 2 mil participantes com contato domiciliar com infectados. Em até 72 horas após a exposição, receberam o medicamento ou um placebo, sem conhecimento de qual pílula tomavam.
Os resultados indicam proteção real: 9% do grupo placebo desenvolveu sintomas, contra 2,9% no grupo que recebeu Ensitrelvir. O efeito profilático é o primeiro desse tipo comprovado contra SARS-CoV-2.
Resultados do estudo
Não foram registrados casos graves relacionados ao medicamento. Houve, em alguns voluntários, queda temporária do HDL e elevação dos triglicerídeos, que cessaram em até duas semanas. A pesquisa reuniu participantes dos EUA, Argentina, Japão, África do Sul e Vietnã.
Shionogi já comercializa o Ensitrelvir no Japão com o nome Xocova, indicado como profilático apenas para situações específicas. Em outras regiões, autoridades avaliam a aprovação, com decisão dos EUA prevista até junho. O estudo contou com colaboração entre pesquisadores americano, japonês e britânico.
Contexto e desdobramentos
O cenário atual envolve populações ainda vulneráveis, como idosos ou immunossuprimidos, que podem se beneficiar de proteção adicional. O perfil de uso combina com estratégias de saúde pública já adotadas para reduzir impacto de surtos.
A comparação com Paxlovid, que teve eficácia inicial, mostra que nem todos os antivirais profiláticos atingiram o objetivo. Mesmo assim, a presença de um antiviral com efeito preventivo amplia o leque de opções terapêuticas.
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