Em Alta Eleições 2026 PolíticaNotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasConflitoseconomiaFutebol

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Áreas verdes nas bordas das cidades encolhem, aponta estudo

Expansão urbana nas bordas de cidades paulistas reduz áreas úmidas e a recarga de aquíferos, aumentando enchentes e risco de escassez de água

Vista aérea de Ribeirão Preto, que lidera as perdas de vegetação nativa no centro-leste paulista.
0:00
Carregando...
0:00

Em áreas periurbanas das margens de cidades de São Paulo, as zonas de bosques, campos alagados e florestas de encosta vêm encolhendo nas últimas décadas. A expansão de bairros, condomínios e áreas agrícolas derruba áreas úmidas que ajudam a moderar a água da chuva e a recarregar aquíferos.

Um estudo da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP), coordenado pelo engenheiro Edimilson Rodrigues dos Santos Júnior, mapeou 261 mil hectares de áreas periurbanas em 39 cidades do centro-leste paulista e comparou 1985 a 2020. Foram identificados 47 mil hectares de áreas úmidas.

Perdas significativas

A pesquisa mostra que 45% do solo e da vegetação das áreas úmidas periurbanas está degradado. Além disso, 83% das áreas de vegetação nativa foram substituídas por urbanização ou agricultura. Corpos d’água e zonas úmidas recuaram nas últimas décadas, agravando riscos de enchentes.

A área ocupada por vegetação nativa em algumas sub-regiões de Ribeirão Preto alcançou perdas acentuadas: 860 hectares entre 1985 e 2020, com possibilidade de chegar a 960 ha até 2035 se o ritmo continuar.

Impacts e contextos globais

Estudos indicam que, ao redor do mundo, 3,4 milhões de km² de zonas úmidas continentais foram perdidos desde 1700. Entre 1999 e 2019, áreas úmidas costeiras reduziram-se em cerca de 4 mil km².

Outra linha de pesquisa, defendida em 2025 na UFSCar, aponta avanço de áreas impermeáveis na Região Metropolitana de Ribeirão Preto de 0,5% (1985) para 1,3% (2024), o que compromete a recarga de aquíferos e aumenta o risco de poluição difusa.

Esfera de governança e respostas

Apesar do avanço urbano, leis de proteção às áreas verdes, como o Código Florestal e a Lei da Mata Atlântica, contribuíram para frear desmatamentos e, em alguns casos, estimularam restaurações. Projetos de restauração de áreas degradadas já mostraram resultados positivos em municípios paulistas.

Em São Carlos, estudo de Montaño aponta que a degradação de áreas úmidas já era observada antes de 1985, quando imagens de satélite começaram a ser usadas com maior resolução. Pesquisadores destacam a necessidade de planejamento urbano que valorize o meio ambiente a longo prazo.

Iniciativas e exemplos positivos

Casos como a APA Bororé-Colônia, em São Paulo, demonstram como áreas de proteção ambiental podem frear o avanço urbano sobre remanescentes da Mata Atlântica. Restaurar margens de rios e criar corredores verdes funciona como amortecedor de enchentes.

Em Guarujá e em cidades do interior, ações de restauração ganharam impulso com financiamento estadual e apoio institucional, transformando espaços degradados em centros culturais, parques e áreas de convivência que ajudam a reduzir enchentes.

Perspectivas e desafios

Especialistas ressaltam a importância de planejamento integrado entre normas, gestão de recursos hídricos e uso do solo. A expectativa é que novas políticas públicas priorizem a conservação de várzeas e vales, para ampliar a retenção de água da chuva e reduzir alagamentos urbanos.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais