Não é possível evitar o risco de novos surtos. Especialistas afirmam que, após a Covid-19, o país está menos preparado para lidar com pandemias emergentes devido a cortes de financiamento e à crescente desinformação. O outono de 2024 destacou isso com o surto de hantavírus nos EUA, que, embora não deva provocar a próxima grande pandemia, evidenciou falhas na testagem de doenças raras, na prevenção de surtos e na comunicação pública.
O debate ocorreu durante um evento em Washington, DC, com a participação de ex-funcionários públicos e especialistas em saúde global. Eles ressaltaram que parte da equipe e das estruturas responsáveis pela resposta rápida a emergências foi reduzida ou substituída nos últimos anos, aumentando a vulnerabilidade a futuros riscos. Modelos científicos sugerem uma chance de pelo menos igual ou maior que a da Covid-19 de surgir uma pandemia na próxima geração de 25 anos.
A desinformação é destacada como um dos maiores obstáculos para saúde pública. Especialistas destacam que, hoje, a velocidade de propagação de boatos nas redes sociais supera a capacidade de explicar dados científicos de forma tradicional. A necessidade de comunicar incertezas de maneira clara também foi enfatizada, para manter a confiança do público.
Diversos capítulos da resposta à Covid foram revisados para orientar o preparo futuro. O desenvolvimento de vacinas de RNA mensageiro, que avançou rapidamente e mostrou alta eficácia, é visto hoje como uma conquista crítica que ainda depende de investimentos contínuos. Contudo, a queda de financiamento ameaça manter esse avanço em estágio avançado.
Os participantes apontaram falhas na distribuição global de vacinas durante a crise, ressaltando que o planejamento inadequado e a escassez de insumos básicos prejudicaram a efetivação de campanhas vacinais internacionais. A cooperação com parceiros internacionais é vista como essencial, e o recuo de apoio federal nos Estados Unidos foi considerado prejudicial à confiança de alianças globais.
Ao falar sobre preparação local, especialistas destacaram que estados vêm assumindo parte da liderança, com iniciativas de alianças de saúde e parceria direta com a Organização Mundial da Saúde. A transferência de responsabilidades para governos subnacionais é apresentada como uma resposta prática diante da retirada de diretrizes federais mais envolventes.
A despeito de ganhos tecnológicos, como avanços na detecção de doenças e na produção de vacinas, os especialistas ressaltam que manter esse progresso exige retorno de investimentos estáveis na saúde pública. A mensagem central é de que é necessário reafirmar o papel estratégico da saúde pública para enfrentar a próxima crise sem repetir falhas do passado.
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