Os arqueólogos avançam em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, recuperando parte da história do Brasil Imperial. A área da antiga Vila de Iguassú já foi passagem estratégica para viajantes rumo ao Rio de Janeiro, hoje reinterpretada sob a terra.
A pesquisa começou há três anos e já soma cerca de 100 mil objetos ou fragmentos encontrados. Cada peça ajuda a reconstruir o cotidiano de uma vila que, no século XIX, foi porta de entrada entre estrada e rio.
O terreno pertencia a um morador local, Allan Ferreira de Lucena, que autorizou as escavações. Moradores relatam que, ao abrir o terreno, encontraram objetos ao longo do tempo, aproximando o passado da comunidade.
O passado sob a terra
A vila de Iguassú recebia visita imperial e era ponto de passagem importante. Com a expansão ferroviária, a cidade tradicional foi abandonada e os habitantes migraram para a área próxima à estação, a cerca de 15 km de distância.
A equipe destaca que o sítio preserva padrões de consumo e redes de circulação já observados em outros centros urbanos do período. O acervo inclui utensílios de uso cotidiano e itens de origem europeia.
Entre as descobertas, destaca-se a reutilização de louças e fragmentos que compõem um retrato da troca entre estrada e rio. Muitas peças ainda aparecem incompletas, mas já revelam aspectos da vida na antiga vila.
Museu em construção
Em abril, a cidade abriu um museu para expor parte das relíquias encontradas. Itens de Paris e objetos com o brasão imperial compõem o acervo, que é montado peça por peça. As peças inteiras seguem em avaliação para exposição.
A equipe ressalta que o trabalho continua, com metas de ampliar o inventário de peças e ampliar o entendimento sobre a relação entre o transporte de café, a vila e o desenvolvimento regional. A investigação deve seguir nos próximos meses.
Entre na conversa da comunidade