Um artigo da revista Nature, assinado por David Adam, analisa como as distrações digitais afetam nossa atenção e se essa capacidade é irreversivelmente reduzida. A pesquisa aponta que a exposição constante a interrupções pode limitar o desempenho, mas não há consenso sobre uma queda permanente.
Especialistas observam que, ao eliminar interrupções como checagens de redes sociais, é possível recuperar o foco. Testes de atenção em ambiente controlado indicam que o desempenho não difere entre décadas, quando não há distrações.
Estudos de Gloria Mark, da Universidade da Califórnia, mostram que no mundo real a passagem entre tarefas ocorreu, no início deste século, após cerca de 2 minutos e meio. Em 2010 caiu para 75 segundos e, em 2020, para 47 segundos.
Desdobramentos
A pesquisa aponta que reduzir a frequência de interrupções pode favorecer a concentração e o desempenho em tarefas de curta e média duração. Pequenas pausas estratégicas aparecem como recurso eficiente para evitar sobrecarga cerebral.
Além disso, a percepção de que a tarefa é especialmente relevante pode manter a atenção por mais tempo, desde que acompanhada de momentos de descanso. O estado psíquico influencia fortemente a capacidade de concentração.
Por fim, aspectos como ansiedade, depressão e sono não reparador prejudicam o desempenho cognitivo. Melhorar a saúde mental e o sono contribui para uma atenção mais estável ao longo do dia.
*Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília*
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