Silvio Meira, engenheiro e um dos fundadores do CESAR, anunciou seu retorno ao Conselho de Administração da instituição durante as comemorações de aniversário do centro. A decisão ocorre 30 anos após a criação do CESAR, em Recife, e aponta para uma retomada das raízes inovadoras da organização.
OCESAR foi criado em 1996 por docentes do CIn-UFPE com o objetivo de reter talentos em tecnologia. Hoje, o CESAR é apontado como semente do Porto Digital, polo que abriga centenas de empresas de tecnologia no Recife Antigo.
Meira afirmou que a inteligência artificial representa o maior desafio da humanidade, destacando a necessidade de reconfigurar funções humanas diante da automação. O foco, segundo ele, é definir o que deve ser codificado e como validar esse código.
Para ilustrar o impacto da IA, o engenheiro citou que a IA já escreve grande parte do código utilizado hoje, sendo capaz de executar tarefas antes exclusivas de profissionais qualificados. O papel humano passa a residir na governança, validação e segurança dos sistemas.
O executivo descreveu a prática no Porto Digital, onde empresas spin-off do CESAR já operam com agentes inteligentes para atividades repetitivas. Segundo Meira, é proibido trabalhar sem IA; o uso de agentes reduz custos e acelera entregas.
Sobre a transformação do trabalho, ele frisou que será necessário desaprender e adaptar. Em comparação histórica, mencionou a transição de carroças para automóveis nos EUA entre 1903 e 1913, para enfatizar ganhos de produtividade com IA.
Meira também tratou de regulação e transparência, defendendo modelos regulatórios que conciliem liberdade com limites. Ele citou a necessidade de regras para plataformas digitais, sem abrir mão de princípios democráticos.
Questionado sobre eleições e regulação, o executivo apontou falhas passadas na condução pública brasileira e ressaltou que a regulação é necessária para evitar abusos, proteger dados e promover competição leal.
O líder do CESAR reconheceu a influência das pressões de lobbies no Congresso, mas ressaltou que a regulação exige ação institucional firme. Segundo ele, a participação da sociedade e das plataformas é essencial para avanços responsáveis.
Entre na conversa da comunidade