O El Niño pode elevar a transmissão de dengue no Brasil, com pior cenário no Sul e no Sudeste, segundo especialistas. O fenômeno tende a aumentar temperaturas no Pacífico e, no país, associar-se a seca no Norte e Nordeste e chuvas no Sul e Sudeste. A dengue é transmitida pelo Aedes aegypti.
Azevedo, pesquisador da Unesp e da USP, afirma que o cenário gera preocupação devido à concentração populacional nessas regiões. A projeção aponta possibilidade de elevação de casos neste ano, em função de condições climáticas que favorecem a infestação do mosquito.
O intervalo de atuação do El Niño deve ocorrer entre maio e julho, segundo autoridades climáticas. A combinação de calor e volume de chuvas favorece criadouros do Aedes, intensificando risco de dengue, zika e chikungunya em áreas urbanas.
A dengue já foi mais letal nos últimos anos, com 2024 registrando grande quantidade de fatalidades no Sul e Sudeste. Pesquisas associam o fenômeno climático ao aumento de casos, internações e mortes, reforçando a importância de vigilância epidemiológica.
Especialistas ressaltam que o El Niño não explica por si só o aumento de casos. A presença de populações suscetíveis e a circulação de diferentes sorotipos também influenciam a deflagração de epidemias, apontam estudos.
A oferta de vacinas contra dengue é citada como aspecto positivo a ser considerado neste cenário. Em algumas cidades brasileiras, a vacinação avança, embora em ritmo ainda lento, segundo pesquisadores. A proteção temporária após contato com o vírus também é destacada.
Pesquisas sobre a relação entre El Niño e Aedes aegypti indicam que o aumento da infestação ocorre em parte devido às mudanças climáticas. Um estudo de 2024 analisou dados de 2008 a 2018 em 645 municípios de São Paulo, associando o fenômeno ao aumento de larvas em recipientes ao ar livre.
Azevedo destaca ainda que, apesar do aquecimento, fatores locais, como manejo de criadouros e campanhas de combate ao mosquito, seguem determinantes para o ritmo de transmissão. A vigilância contínua é essencial para evitar surtos, especialmente no Sul e Sudeste.
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