O estudo boliviano sobre o cão-phantasma demonstrou, com mais de duas décadas de dados, que Atelocynus microtis é mais comum do que se pensava, mas ainda é raro. Ao longo de 2001 a 2024, foram obtidas 4.635 fotos de armadilhas, em 594 eventos, para entender seu comportamento e habitat.
A pesquisa, realizada pela Wildlife Conservation Society (WCS) em Bolivia, reuniu imagens de áreas de floresta amazônica contínua no norte de La Paz, em Pando, Beni e Santa Cruz, além de áreas de piedmont andinas até 750 metros de altitude. O objetivo foi mapear distribuição e uso do habitat.
Robert Wallace, biólogo britânico da WCS BolÍvia, explica que a espécie é essencialmente florestal e evita áreas abertas. As armadilhas mostraram o animal ativo principalmente de dia, com atividades esporádicas ao crepúscio, em florestas maduras longe de rios.
A análise revelou que o cão-phantasma parece mais abundante em áreas protegidas e em territórios indígenas que se sobrepõem a áreas de conservação. Os resultados ressaltam a necessidade de grandes trechos contínuos de floresta para a sobrevivência de populações viáveis.
O estudo também envolveu 34 expedições com armadilhas em paisagens chave, como o Greater Madidi-Tambopata e o Llanos de Moxos, com apoio da ORÉ e do Noel Kempff Mercado Natural History Museum. O animal mede cerca de 70 a 100 cm, pesa 9 a 10 kg, e tem patas parcialmente webbed, uma característica distintiva.
Os pesquisadores indicam que a preservação de florestas ininterruptas, sem criação de corredores com áreas abertas, é crucial para manter a população do cão-phantasma a longo prazo. A espécie é uma das menos conhecidas entre os canídeos da região.
ORÉ classifica o animal como único no seu gênero e o descreve como carnívoro solitário, com comportamento bastante evasivo. Estudos sugerem que a conservação depende de proteção de grandes blocos de floresta e de territórios comunitários.
A equipe de pesquisa destaca que a observação direta continua desafiadora, dada a sensibilidade a humanos e predadores naturais. Ainda assim, o uso de tecnologias de monitoramento facilita a compreensão do comportamento da espécie.
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