A HealthGo lançou um equipamento que detecta problemas intestinais por meio de um exame de sopro. A máquina analisa gases produzidos pela microbiota para auxiliar no diagnóstico de doenças funcionais intestinais e de desequilíbrios da microbiota. O produto já está presente em clínicas, hospitais e laboratórios.
Raphael Matsunaga, de 40 anos, é engenheiro elétrico e fundador da HealthGo. Ele afirma que a startup já realizou 30 mil exames com cerca de 500 equipamentos em uso. O equipamento é utilizado quando endoscopia e colonoscopia não identificam alterações estruturais que expliquem sintomas gastrointestinais.
O HealthGo Air 1, usado para testes respiratórios, detecta gases como hidrogênio e metano, associados a diarreia, distensão abdominal, prisão de ventre e constipação. Antes do teste, o paciente segue dieta de 24 horas e ingere um substrato como lactulose para estimular a fermentação pelas bactérias intestinais.
Certificação e expansão internacional
A máquina HealthGo Air 1 está registrada na Anvisa e no Inmetro. O processo de certificação durou cerca de oito meses, por se tratar de tecnologia de classe de risco mais baixa e não invasiva, segundo Matsunaga. A nova versão, HealthGo Air Go 2, amplia a capacidade ao incluir a medição de sulfeto de hidrogênio.
A empresa foi criada em 2015 inicialmente para software e serviços de inovação, mas ganhou foco em 2022 no mercado de testes respiratórios, com lançamento oficial no fim de 2024. O investimento próprio na ordem de 3,5 milhões de reais viabilizou a comercialização junto a médicos. Hoje, cerca de 500 equipamentos atendem clínicas, laboratórios e hospitais.
A HealthGo registrou receitas de 8 milhões de reais em 2025 e projeta crescimento para este ano. O plano inclui lançamento de produto patenteado e expansão internacional, com vendas já realizadas para Venezuela, Chile, Paraguai e Estados Unidos. Países serão atendidos por parceiros distribuidores e exportação dos equipamentos.
Matsunaga afirma que o setor de diagnóstico por gases intestinais enfrenta resistência a mudanças, mas aponta demanda crescente por inovação. Ele diz que, apesar do mercado exigir demonstrações de eficácia, o método oferece um complemento aos testes existentes, com foco em reduzir riscos e aumentar a acurácia.
A empresa já recebeu abordagens de laboratórios farmacêuticos, mas as conversas sobre aquisição não avançaram. O fundador destaca que não há prioridade em vender a HealthGo, e que o objetivo é facilitar o diagnóstico com menos risco. O portfólio inclui venda de insumos como bocal e alça, além de planos de monitoramento remoto.
Entre na conversa da comunidade