O Ministério da Saúde vai anunciar um novo protocolo nacional para rastreamento do câncer colorretal pelo SUS. A partir dele, o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) passa a ser o exame de referência para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. O anúncio ocorre nesta quarta-feira, 21, durante agenda em Lyon, na França. A decisão visa ampliar o acesso à prevenção e à detecção precoce da doença no país.
Segundo a pasta, a mudança pode alcançar mais de 40 milhões de brasileiros e reforçar a detecção precoce, já que o câncer colorretal é o segundo tipo mais frequente no Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma. A estimativa do Inca aponta 53,8 mil novos casos anuais entre 2026 e 2028.
Como funciona o exame
O FIT é um teste de fezes que detecta sangue oculto, sinal de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer, sem necessidade de sangue visível. Diferente de testes anteriores, o FIT usa anticorpos para identificar sangue humano, elevando a precisão. O kit é aplicado em casa e a amostra é enviada ao laboratório.
Entre as vantagens estão: não exigir preparo intestinal, não exigir dieta específica, utilizar apenas uma amostra, ser menos invasivo e apresentar maior adesão populacional. A sensibilidade do teste varia entre 85% e 92% para identificar alterações.
O oncologista Stephen Stefani destaca que o FIT já é utilizado em programas internacionais de rastreamento e contribui para reduzir a mortalidade ao ampliar o diagnóstico precoce. Ele também afirma que o teste é mais conveniente e mais barato que a colonoscopia para rastreamento populacional de grande parte da população.
O que acontece se o teste der positivo?
Caso o resultado seja positivo, o paciente é encaminhado para exames adicionais, especialmente a colonoscopia, que é o padrão-ouro para avaliação do intestino. A colonoscopia permite visualizar o cólon e o reto, além de retirar pólipos para prevenir o câncer.
Stefani alerta que um resultado positivo não significa apenas câncer; hemorroidas, inflamações e outras condições podem causar sangramento. Por outro lado, um resultado negativo não elimina o risco de doença, pois lesões podem não sangrar no momento.
A efetividade do rastreamento depende da rapidez com que o sistema de saúde consegue investigar e tratar os casos suspeitos. O acesso ágil à colonoscopia e ao tratamento adequado é determinante para reduzir a mortalidade.
A quem se dirige o novo protocolo
O protocolo vale para pessoas sem sintomas entre 50 e 75 anos. Sinais de alerta, como sangue nas fezes, perda de peso, anemia, alteração persistente do hábito intestinal ou dor abdominal, exigem avaliação médica independentemente da idade.
Quem tem histórico familiar de doença, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes genéticas pode iniciar o rastreamento antes, conforme orientação médica. Em casos assim, o acompanhamento costuma ser individualizado e pode incluir colonoscopia antes da faixa etária prevista.
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