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Problemas no intestino podem causar efeitos silenciosos no coração

Problemas no intestino podem fragilizar a barreira intestinal e elevar o risco cardiovascular pelo eixo intestino-coração

Foto colorida de mulher sentada no chão com a mão no peito - Metrópoles
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O cardiologista Rafael Marchetti explica que problemas no intestino podem ter efeitos silenciosos no coração. Em entrevista à coluna Claudia Meireles, ele afirma que o eixo intestino-coração envolve mecanismos metabólicos, hormonais, nervosos e imunológicos. Sinais simples como distensão abdominal, gases e má digestão podem sinalizar desequilíbrios relevantes.

A barreira intestinal funciona como proteção do organismo. Quando está fragilizada, substâncias inflamatórias e toxinas ganham passagem para a corrente sanguínea, favorecendo processos inflamatórios no corpo. Marcadores como zonulina, LPS, D-lactato e anticorpos da barreira ajudam a entender a permeabilidade aumentada.

Dessa forma, alterações no intestino podem impactar diretamente o sistema cardiovascular. Observa-se aumento da pressão arterial, formação acelerada de placas nas artérias, maior risco de infarto, AVC e trombose, além de arritmias como a fibrilação atrial.

O especialista ressalta que quem tem disfunção intestinal pode sofrer piora da insuficiência cardíaca, especialmente em episódios de congestão abdominal. Biomarcadores como TMAO elevado e aumento de metabólitos como PAGln ajudam a identificar maior risco cardiovascular.

Os efeitos do desequilíbrio intestinal vão além da digestão e podem afetar o organismo como um todo. Sinais como fadiga, mal-estar, baixa energia, alterações do apetite e mudanças de humor costumam acompanhar esse quadro.

Além disso, Marchetti aponta que o desequilíbrio intestinal pode favorecer piora da sensibilidade à insulina, elevação da glicemia, do colesterol e de triglicerídeos. A esteatose hepática também se relaciona a maior permeabilidade intestinal e entrada de toxinas na circulação.

Para o médico, a disfunção do eixo intestino-coração é um quadro integrado: ele pode repercutir na saúde geral, não ficando restrito a um único órgão. A prática clínica, portanto, deve considerar o funcionamento de todo o organismo.

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