Foi divulgado um estudo coordenado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicado em abril na International Journal of Geriatric Psychiatry. A pesquisa acompanhou 5,2 mil brasileiros com mais de 60 anos e identificou 392 com demência. Desses, 83,1% não tinham diagnóstico anterior.
Os dados mostram que o subdiagnóstico é mais frequente em regiões mais pobres (90,2%) do que em áreas mais ricas (76,0%). Entre pessoas analfabetas, a taxa chega a 93,9%.
O estudo reforça que o subdiagnóstico já era previsto pelo Relatório Nacional sobre a Demência, de 2024, do Ministério da Saúde. O volume estimado de pessoas com demência no Brasil hoje é de cerca de 2,5 milhões.
Importância do diagnóstico oportuno
O diagnóstico precoce, quando os sintomas aparecem e o comprometimento funcional ainda é limitado, facilita o manejo clínico, a educação de pacientes e cuidadores, o planejamento do cuidado e o acesso a tratamentos.
Dificuldades de acesso ao sistema de saúde, falhas na formação de profissionais e a crença cultural de que o declínio cognitivo é parte natural do envelhecimento são apontadas como fatores do subdiagnóstico. As autoridades defendem estratégias de detecção na atenção primária e ações regionais para reduzir disparidades.
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