A solidão e o baixo suporte social aumentam o risco de infarto, AVC e morte por doenças cardiovasculares, segundo evidências consistentes. O impacto é comparável ao de sedentarismo e tabagismo, segundo especialistas.
Pesquisas indicam que isolamento social eleva a probabilidade de adoecer e morrer por causas cardíacas. Não basta morar sozinho: a percepção de desconexão e a falta de apoio influenciam o risco.
O efeito se vê no organismo: a solidão ativa respostas fisiológicas crônicas, com pressão arterial mais alta e maior atividade do sistema nervoso. A solidão percebida reduz a variabilidade da frequência cardíaca.
Além disso, marcadores inflamatórios aumentam e hábitos de saúde pioram, incluindo sono irregular, sedentarismo e alimentação inadequada. O conjunto favorece o desenvolvimento de doença cardiovascular ao longo do tempo.
Prevenção também passa por vínculos
Manter vínculos familiares, amizades e atividades em grupo amplia a prevenção. A intervenção não se resume a fatores clássicos, mas envolve pertencimento e suporte emocional.
O cuidado com a saúde cardiovascular passa a exigir integração entre corpo, mente e relações. A medicina começa a tratar a qualidade das relações como componente da prevenção.
A solidão não aparece em exames de sangue, mas os seus efeitos se revelam no corpo. Cuidar do coração passa, cada vez mais, por manter conexões que sustentam a vida.
Texto de divulgação: Prof. Dr. Carlos Alberto Pastore, cardiologista e Membro da Brazil Health (CRM-SP 24.264).
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