O super El Niño volta a ser tema de alerta entre meteorologistas e especialistas em agronegócio. A probabilidade de um evento de grande magnitude este ano aumenta, com comparações ao ciclo de 1877 e 1878. Embora haja avanços em resposta a extremos climáticos, os impactos ainda são motivo de preocupação.
As projeções indicam aquecimento acima da média no Pacífico Equatorial, com variações regionais de chuvas. No Brasil, o padrão costuma resultar em chuva excessiva no Sul e secas no Norte e Nordeste, além de irregularidade no Centro-Oeste, o principal polo produtor. A magnitude do fenômeno atual é motivo de monitoramento constante.
Em 1877 houve temperatura de até 3,5°C acima do usual no Pacífico, com consequências globais. Estimativas conservadoras apontam 30 a 50 milhões de mortos por fome, entre 3% e 4% da população mundial da época. O paralelo é citado para entender riscos históricos.
Efeitos para o Brasil e lições do passado
No Brasil, a Grande Seca de 1877-78 devastou o Nordeste e reduziu drasticamente a produção de pecuária e algodão, levando ao êxodo de aproximadamente 190 mil retirantes. A mortalidade total no país chegou a 400 mil a 500 mil pessoas, entre mortes por fome e epidemias, o que representou cerca de 5% da população da época.
Fortaleza tornou-se símbolo da falha estrutural para absorver o impacto, com influxo de migrantes e epidemias associadas. A transposição do São Francisco foi apontada como solução estrutural futura, ainda que com vários atrasos na implementação ao longo das décadas.
O que esperar para 2026 e os impactos econômicos
Agências internacionais apontam até 80% de probabilidade de formação de um Super El Niño até o final de 2026. Mesmo com avanços tecnológicos, há incerteza sobre volumes e distribuição de chuvas, o que complica decisões de produtores.
Especialistas enfatizam que o desafio não é apenas a quantidade de chuva, mas o timing. Períodos concentrados podem causar lacunas hídricas nas fases críticas de cultivo, elevando custos e dificultando a gestão de safras.
No Brasil, o efeito econômico se traduz em pressão sobre preços de alimentos. O Copom destacou o risco de choque de oferta relacionado ao clima, com impactos esperados em itens sensíveis ao calor e à irregularidade das chuvas. A alimentação coletiva prevê elevação de até dois dígitos nos preços.
Estimativas da Nutrisaude apontam alta de até 15% nos custos com alimentação em períodos de maior pressão climática, afetando hortaliças, frutas e legumes. As leituras indicam que a inflação de alimentos pode ganhar força se a sazonalidade se intensificar.
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