Uma pesquisa publicada em 19 de maio de 2026 aponta sinais na pele que podem ajudar a diferenciar doenças neurológicas graves, como Parkinson e sinucleinopatias. O estudo, liderado por Marta Di Fabrizio, analisou estruturas nervosas cutâneas de doadores falecidos. A revista associada é Parkinson’s Disease (Nature).
Os pesquisadores examinaram biópsias da região cervical de 46 doadores com diagnósticos que incluíam Parkinson, demência com corpos de Lewy, atrofia de múltiplos sistemas (MSA) e indivíduos sem doenças neurológicas. Ao todo, foram avaliadas mais de 1.100 bainhas de mielina.
A mielina, camada que envolve os axônios, atua como isolante e facilita a transmissão de sinais nervosos. Os cientistas criaram um índice denominado escore de dano à mielina para quantificar as alterações observadas nas amostras.
Entre os principais achados, pacientes com Parkinson apresentaram maior carga de danos na mielina, enquanto o grupo com MSA mostrou alterações menos intensas. Os indivíduos sem doença neurológica apresentaram níveis próximos ao mínimo de dano.
As alterações mais recorrentes envolveram fragmentação da mielina e inchamento das estruturas nervosas, indicando dano progressivo aos nervos periféricos. A proposta é que mudanças na pele reflitam processos ocorridos no sistema nervoso.
O estudo sugere uma nova visão sobre doenças neurodegenerativas, especialmente as sinucleinopatias, que incluem Parkinson e condições relacionadas à alfa-sinucleína. A pele pode oferecer pistas adicionais para o diagnóstico.
Um dos pontos mais promissores é a viabilidade de usar tecido periférico, como a pele, para investigar doenças tradicionalmente avaliadas no cérebro. A coleta cutânea é menos invasiva do que exames cerebrais, o que pode facilitar diagnósticos no futuro.
A equipe ressalta a necessidade de estudos adicionais para confirmar a aplicação clínica dessas descobertas. A expectativa é de que a abordagem possa, com o tempo, ajudar a diferenciar doenças, entender a progressão do Parkinson e apoiar diagnósticos mais precisos.
No horizonte, a pesquisa amplia a compreensão de como o corpo pode sinalizar alterações neurodegenerativas. Danos na mielina da pele podem, potencialmente, contribuir para ferramentas diagnósticas mais precoces e acessíveis.
Entre na conversa da comunidade