Foi identificado em utensílio cirúrgico da dinastia Ming, há cerca de 600 anos, um composto químico que indica o uso de um anestésico na época. O item foi encontrado em uma tumba a 150 quilômetros de Xangai e analisado com técnicas modernas de espectroscopia. As descobertas foram publicadas na revista Antiquity.
Os pesquisadores da Northwest University, na China, analisaram instrumentos de ferro guardados em sarcófago da dinastia Ming. No estado de conservação preservado, a superfície apresentava um resíduo vermelho que, por meio de análises químicas, revelou uma mistura de aconitina, gorduras e óleos. A aconitina é um alcaloide altamente tóxico derivado do acônito.
A presença da mistura sugere uma aplicação controlada durante procedimentos menores, com técnicas para reduzir a toxicidade ao longo do contato com a pele. O estudo aponta que médicos da época preparavam o anestésico a partir do acônito usando substâncias ácidas, como vinagre, feijão mungo ou urina, para modular o efeito anestésico.
Segundo Congcang Zhao, um dos coautores, a prática envolvia o uso de instrumentos de ferro combinada a formulações específicas, além de procedimentos rígidos para o manejo do composto. O objetivo era permitir intervenções mínimas com menor dor para o paciente, ainda que o método fosse extremamente arriscado.
Contribuições e implicações
Os resultados representam a primeira evidência química direta de anestésicos em instrumentos cirúrgicos antigos. A pesquisa também sugere uma reavaliação da linha do tempo de uso de anestesia em cirurgias, deslocando-a para um passado mais remoto. A equipe ressalta que novas análises podem expandir a compreensão sobre práticas médicas da dinastia Ming.
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