A NASA detalhou pela primeira vez o plano completo para estabelecer uma presença humana permanente no polo sul da Lua. O projeto Moon Base visa transformar a região em centro de pesquisa, logística e exploração ao longo da próxima década, com início das atividades já em 2026.
A iniciativa concentra investimentos na superfície lunar, com habitats, sistemas de energia, redes de comunicação e veículos de exploração. O objetivo é manter atuação contínua no lado sul, diferente do foco anterior em uma estação orbital.
Segundo a reportagem da Wired, a estratégia substitui parcialmente o programa Gateway e acelera o cronograma do programa Artemis, buscando simplificar a arquitetura de exploração e reduzir custos.
Fase inicial e cronograma
A NASA planeja três fases para a construção da base. A fase 1 começa em 2026, com o lançamento do Moon Base 1 e o módulo de pouso Blue Moon Mark 1 Endurance, para transportar instrumentos científicos e testar tecnologias.
O ponto de pouso ficará na Shackleton Connecting Ridge, perto do polo sul. O equipamento inclui câmeras estéreo e um sistema de retroreflexão a laser para precisão de posicionamento de futuras espaçonaves.
Missões e conteúdos de teste
A missão Moon Base 1 deve validar sistemas de navegação e descida. Caso haja sucesso, a Blue Origin pode desenvolver uma versão tripulada do módulo, possivelmente o Blue Moon Mark 2, para missões em torno de 2028.
As missões Moon Base 2 e 3 devem ocorrer a partir de 2026. A segunda usará o módulo Griffin, da Astrobotic, para levar mais de 500 kg de carga, incluindo o rover FLIP, para testar mobilidade em superfície lunar.
Veículos lunares e mobilidade
A mobilidade lunar é considerada central para a base. A NASA abriu contratos de cerca de US$ 219 milhões para a Astrolab e US$ 220 milhões para a Lunar Outpost desenvolverem os primeiros Veículos Terrestres Lunares, com operações previstas até 2028.
O CLV-1, da Astrolab, transporta astronautas, suprimentos e realiza operações remotas. O veículo pesa cerca de 900 kg e pode superar 9,6 km/h em terreno plano. O rover Pegasus, da Lunar Outpost, opera em modo manual, autônomo ou teleoperado.
Infraestrutura e tecnologia
A missão Moon Fall, em parceria com a Firefly Aerospace, prevê quatro drones autônomos para mapear áreas de difícil acesso no polo sul. A segunda fase ainda envolve reatores de superfície e redes logísticas mais robustas para sustentar operações contínuas.
Na terceira fase, a NASA planeja transformar a base em instalação permanente com habitações conectadas, fornecimento estável de energia, estradas lunares e rotação constante de astronautas.
Visão de longo prazo e cooperação
A NASA estima enviar cerca de 38 toneladas de carga por ano para manutenção e expansão da infraestrutura. A base busca sustentar atividades científicas, desenvolvimento tecnológico e futuras missões para Marte.
O projeto envolve colaboração internacional com a Agência Espacial Europeia e o Instituto Coreano de Astronomia e Ciências Espaciais, ampliando a participação global na presença humana contínua na Lua.
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