Entre as 3 bilhões de pessoas representadas pela amostra, quase 600 milhões vivem com níveis graves de pobreza sistêmica de refrigeração. O estudo aponta que desigualdades urbanas, moradias precárias e falta de infraestrutura elevam o risco com altas temperaturas.
No Rio de Janeiro, moradores de Vidigal e de bairros periféricos convivem com ilhas de calor. Telhados de metal, falta de parques e ausência de redes formais de transporte agravam o sofrimento durante ondas de calor.
O estudo, publicado pela The Conversation, abrange 28 países, com maior impacto na região do sul da Ásia e na África Subsaariana. Mesmo diante de contextos parecidos de calor, a infraestrutura define a intensidade do problema.
A pesquisa reforça que o acesso a ar-condicionado é desigual tanto entre países quanto dentro deles, tornando a solução tecnológica inadequada se não houver melhorias estruturais. O consumo de energia também aumenta contas de luz e pressiona redes elétricas.
Durante o levantamento desde 2020, foram entrevistadas 80 pessoas em subúrbios de baixa renda e favelas do Rio. Dezenove mantiveram diários online para registrar o cotidiano sob calor extremo, incluindo fotos, desenhos e notas de voz.
Para famílias com deficiência, idosos e pessoas trans, o calor traz dificuldades adicionais. Banhos frios, deslocamentos restritos e serviços públicos inadequados agravam a vulnerabilidade, diante de barreiras de acesso a água potável e espaços de sombra.
Justiça térmica
Reformular a pobreza de refrigeração implica ações conjuntas entre planejamento urbano, saúde pública, habitação e regulamentação trabalhista. Ampliar água potável, requalificar edifícios, criar áreas sombreadas e combater discriminações são passos essenciais.
As soluções devem envolver as pessoas mais afetadas no desenho das políticas. Suas experiências ajudam a mapear impactos reais do calor e indicar caminhos práticos para reduzir a exposição e aumentar a resiliência.
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