O estudo, liderado pela Universidade McGill, no Canadá, analisou trajetórias de mentiras de mais de 3 mil crianças entre 6 e 19 anos. A pesquisa acompanhou participantes de Quebec, com dados coletados por pais e professores.
Os pesquisadores avaliaram padrões de mentira ao longo do tempo e buscaram vínculo com eventos na infância e na vida adulta, como agressividade, impulsividade, saúde mental e antecedentes criminais. Os dados incluem 2 mil crianças aleatoriamente selecionadas e 1.017 com dificuldades comportamentais.
Mais de 3 mil participantes participaram do estudo, com distribuição de 47,2% meninas e 52,8% boys. Os relatos se baseiam principalmente em observações de pais e professores ao longo de várias fases do desenvolvimento.
Trajetórias de mentiras
A maioria das crianças mostrou níveis baixos ou decrescentes de mentira ao longo do tempo. Em resumo, mentir na infância não foi, para a maior parte, um indicativo de problema comportamental a longo prazo.
Contudo, crianças que mentiam com frequência ou cujas mentiras aumentavam ao longo dos anos tinham maior probabilidade de apresentar agressividade e impulsividade precoces, bem como sinais de transtorno de personalidade antissocial.
Esses padrões também estiveram associados a maior probabilidade de condenação criminal na vida adulta, segundo os pesquisadores, ainda que o conjunto não seja determinístico.
Identificação e intervenção
A equipe aponta a importância de intervenções precoces, em vez de punições reativas, para lidar com comportamentos de mentira de forma saudável. A ideia é reduzir estigma e prevenir consequências negativas.
Os autores defendem ampliar estudos que acompanhem indivíduos até a idade adulta, avaliando resultados sociais, ocupacionais e relacionais. O objetivo é apoiar profissionais clínicos no desenvolvimento moral e social de cada pessoa.
Entre na conversa da comunidade