O Escritório Europeu da Organização Mundial da Saúde revelou, em janeiro de 2023, uma posição inédita sobre o consumo de álcool: não há nível considerado seguro. A divulgação citou uma autora do estudo e reforçou que o risco à saúde começa na primeira gota. A mudança marcou uma virada na linguagem oficial.
Especialistas destacam que a mudança não foi apenas científica, mas também linguística. Enquanto antes o termo usado era uso prejudicial, a nova linguagem adotou um tom mais proibicionista, segundo analistas e membros da sociedade civil. A mudança abriu espaço para discutir limites de consumo.
A justificativa central foi a relação entre álcool e câncer. A substância foi enquadrada, pela OMS, em um grupo de carcinógenos que inclui asbestos, radiação e tabaco. Entretanto, estudiosos lembram que há evidência antiga de efeitos benéficos do consumo moderado sobre doenças cardíacas.
Críticos apontam que a narrativa de “nenhum nível seguro” pode desconsiderar nuances da pesquisa, como a hipótese de benefício cardiovascular em hábitos moderados. Além disso, há alegações de que o financiamento de pesquisas tende a favorecer resultados que demonstrem danos, dificultando panoramas mais equilibrados.
Discute-se ainda o papel de estratégias de comunicação. Alguns pesquisadores ressaltam que mensagens simples ganham espaço na política e na mídia, muitas vezes à custa de abordagens graduais. O debate envolve atores acadêmicos, setores da indústria e representantes de políticas públicas.
Panorama e impactos
Profissionais de ciência e representantes do setor vinícola destacam que decisões políticas costumam depender de apresentões simplificados. A mudança de tom da OMS é vista como precedente para discussões sobre mortalidade, câncer e consumo de álcool, com impactos potenciais em diretrizes nacionais e campanhas de saúde.
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