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Desperdício de água no Brasil daria para abastecer 77 milhões de pessoas

Brasil desperdiça 39,53% da água tratada; reduzir perdas para 25% abasteceria 77 milhões de pessoas e geraria R$ 47,2 bilhões até 2033

Entre as regiões com maior índice de perdas de água, estão Norte e Nordeste
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O Brasil desperdiça 39,53% da água tratada antes de chegar às torneiras, volume que daria para abastecer cerca de 77 milhões de pessoas. O dado faz parte do Estudo de Perdas de Água 2026, do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados.

Segundo o levantamento, o desperdício diário equivale a 16,2 milhões de caixas d’água. Se as perdas caíssem para 25%, meta do governo, o país poderia atender 17,2 milhões de pessoas em comunidades vulneráveis por dois anos, com ganhos estimados de bilhões até 2033.

Geograficamente, as regiões Norte e Nordeste lideram as perdas, com índices acima de 55%. Estados como Alagoas, Roraima, Pará e Maranhão aparecem entre os mais afetados, enquanto estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul apresentam números inferiores a 35%.

Desperdício e causas

A presidente-executiva do Instituto ressalta que 60% do desperdício é devido a perdas reais, ou seja, vazamentos nas tubulações, que vão desde o asfalto até abaixo do pavimento. O restante, 40%, decorre de perdas comerciais, erros de medição e consumo irregular.

Essa diferença entre vazamentos visíveis e ocultos representa problemas de infraestrutura. A água furtada pode comprometer a potabilidade e aumentar tarifas, impactando especialmente comunidades vulneráveis.

A pesquisadora aponta ainda que há falhas históricas no investimento público: maior foco na expansão do abastecimento do que na redução de perdas. O país possui grande disponibilidade hídrica, mas enfrenta secas e eventos climáticos extremados.

Perspectivas e ações

Para reduzir as perdas, é anunciado que campanhas de conscientização devem envolver a comunidade, destacando riscos de contaminação em água furtada e a necessidade de fiscalização. A participação popular é apresentada como componente essencial.

Especialistas defendem aumentar o investimento em eficiência energética e operacional, com foco em infraestrutura de redes, medição precisa e combate a furtos. A meta de reduzir perdas é tratada como adaptação às mudanças climáticas.

O estudo ressalta que, mesmo com desafios, a redução efetiva das perdas pode gerar ganhos significativos, inclusive financeiros, e melhorar o alcance de água tratada a quem mais precisa. As informações são do Instituto Trata Brasil e da GO Associados.

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