O estresse vivido na adolescência pode provocar mudanças duradouras no cérebro, segundo estudo feito com ratos. A pesquisa ocorreu na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, com Felipe Gomes como coordenador.
O experimento avaliou ratos adolescentes expostos ao estresse e comparou com cobaias adultas. Os resultados mostram aumento persistente da atividade de neurônios piramidais e de interneurônios, ainda após o estímulo estressor.
Os neurônios piramidais liberam glutamato, principal neurotransmissor excitatório, enquanto os interneurônios liberam GABA, o principal inibitório. O desequilíbrio entre esses sinais pode alterar o comportamento.
Quando as mesmas situações de estresse foram aplicadas a ratos adultos, não houve essa mudança duradoura na atividade neural. A adolescência aparece como janela de maior vulnerabilidade cerebral.
Nas cobaias adolescentes houve também redução prolongada das ondas gama, associadas ao balanço excitatório-inibitório e à memória de trabalho. Oscilações gama dependem de interneurônios reguladores.
Os pesquisadores destacam que os resultados em ratos ajudam a entender mecanismos, mas prudência na extrapolação para humanos. Estudos anteriores associam estresse adolescente a riscos de esquizofrenia.
A equipe pretende continuar investigando os mecanismos envolvidos e buscar opções de prevenção ou tratamento para mitigar impactos do estresse na adolescência.
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